Os juros continuam a subir em Portugal empurrados pela instabilidade geopolítica e pelo agravamento da política monetária por parte do Banco Central Europeu (BCE). E as famílias estão a pedir cada vez mais dinheiro no crédito habitação para acomodar os altos preços das casas. Estes dois fatores, juntos, levaram a prestação da casa a atingir um novo máximo histórico de 418 euros em agosto.
Há três meses, os juros interromperam a trajetória de queda, passando a refletir o aumento das taxas Euribor, bem como a ligeira subida das taxas mistas e fixas, as quais, por sua vez, espelham o aperto da política monetária do BCE – o regulador europeu subiu as taxas diretoras duas vezes (uma em junho e outra em setembro) para travar a inflação na zona euro que tem subido, sobretudo, por via do aumento dos custos da energia gerado pelo conflito no Médio Oriente.
Em resultado, “a taxa de juro implícita no conjunto dos contratos de crédito habitação [novos e existentes] subiu para 3,162% em agosto, traduzindo um aumento de 2,7 pontos base (p.b.) face ao mês anterior”, detalha o Instituto Nacional de Estatística (INE) no boletim divulgado no dia 18 de setembro. Trata-se da maior taxa de juro na habitação desde outubro de 2025, mas continua longe do recorde de 5,798% observado em janeiro de 2009, mês que inicia a série, em plena crise financeira do subprime.
Também para o destino de financiamento aquisição de habitação, “o mais relevante no conjunto do crédito habitação”, a taxa de juro implícita para o total dos contratos subiu para 3,148% (mais 2,3 p.b. face a julho), informa o gabinete de estatística português.
Apesar de os juros estarem a subir, o que se tem vindo a observar é que as famílias têm vindo a pedir cada vez mais dinheiro à banca para comprar casa, numa altura em que os preços das casas estão em alta. “Em agosto, o capital médio em dívida para a totalidade dos contratos subiu 725 euros comparativamente ao mês anterior, elevando-se a 80.188 euros”, indica o INE. Trata-se mesmo do maior capital em dívida alguma vez registado pelo instituto.
Este recorde de dívida no crédito habitação conjugado com a subida dos juros elevou a prestação da casa (média) para um novo máximo histórico, de 418 euros. Este valor está quatro euros acima do mês anterior e é 24 euros superior face há um ano. Do valor da prestação da casa, metade corresponde ao pagamento dos juros e a outra metade ao capital amortizado.
Recorde-se que, desde agosto, começou a ser aplicado o novo limite máximo da taxa de esforço de 45% (ao invés de 50%) decidido pelo Banco de Portugal. Esta medida torna o crédito habitação menos acessível para quem tem menos rendimentos, com os bancos a estimarem uma quebra nos contratos de 5% a 10%.
Juros mantêm-se nos novos créditos habitação – prestação atinge recorde
Nos empréstimos habitação mais recentes, o caso muda ligeiramente de figura. Os juros mantiveram-se estáveis, mas o capital em dívida deu o salto e também atingiu um novo recorde, elevando a prestação da casa para um novo recorde.
“Nos contratos celebrados nos últimos três meses, a taxa de juro manteve-se em 2,910% tal como em julho”, indica o INE. E informou também que, nos financiamentos para a compra de casa, os juros diminuíram de 0,5 p.b., para uma taxa de 2,897%. A alta contratação de taxas mistas (mais acessíveis) e grande concorrência da banca pode ajudar a explicar estes números.
Mas também nos novos créditos habitação houve um aumento do endividamento para acompanhar os altos preços das casas. “Para os contratos celebrados nos últimos 3 meses, o montante médio em dívida foi 185.812 euros, mais 3.336 euros que em julho”, revela ainda o INE. Este é também o maior valor de dívida registado pelo INE.
É, sobretudo, o alto endividamento na habitação que explica o aumento do valor médio das prestações da casa nos novos contratos para um novo recorde: fixou-se em 744 euros em agosto, mais 13 euros face a julho e mais 14,3% face ao período homólogo.
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