Valter Martins tem 35 anos, é casado, pai de dois filhos e profissional do ramo automóvel. Apesar de ser natural de Faro, foi em Salir que se aliou àquele que é o seu hobbie de eleição, o passeio todo-o-terreno.
Membro da equipa do Salir TT desde 2006, Valter “ocupa” agora o lugar daquele que foi o motor deste evento durante 25 anos. A preparar a 26.ª edição do Salir TT, que se realiza no próximo dia 7 de março, Valter Martins conta-nos como correm os preparativos e os desafios deste evento familiar, que valoriza a serra algarvia e a sua paisagem.
A Voz do Algarve – É membro da equipa do Salir TT desde 2006, quando à frente da equipa estava Honório Teixeira, aquele que foi, durante 25 anos, a cara deste passeio todo o terreno. Hoje esse lugar é representado por si, como chegou até aqui?
Valter Martins – A secção de automobilismo da Associação Cultural de Salir (ACS) tem vários órgãos, com a saída do Honório, do Luís e do Henrique fiquei eu, o David Diogo, o Michael Martins e o Vitor Silva à frente do Salir TT. Entre nós, alguém tinha que se “chegar à frente” para ocupar o lugar do Honório, especialmente na parte da logística, das autorizações, dessa parte mais burocrática. Após várias horas, decidi dar esse passo em frente… nenhum de nós queria, mas alguém tinha de dar. Mas o importante é que esta é uma secção onde não há presidentes, há vários nomes e todos eles respondem pelo Salir TT. Somos uma secção amadora, isto é um vício, uma paixão para nós, mas estamos numa fase em que todos sabemos o que temos de fazer, não é necessário ter uma pessoa à frente.
V.A. – Existe uma responsabilidade acrescida por ser visto como aquele que vem ocupar o lugar de Honório Teixeira? Existe algum nervosismo para este primeiro Passeio sem o Honório?
V.M. – É complicado. É sempre uma grande responsabilidade. Mas felizmente sinto que as pessoas nos apoiam, tanto a mim como ao resto da secção, e que acreditam que conseguimos fazer um bom trabalho. Afinal não somos estreantes, estamos habituados a isto, afinal já estávamos na equipa há algum tempo: eu vou para o meu 10º passeio, o David deve ter quase uns 20 anos disto, o Michael praticamente nasceu no Salir TT e o Vítor não tem muitos passeios dentro da organização, mas já tem um bom ritmo. Não somos uma nova equipa, somos uma continuação.
V.A. – Quando e como foi feita a entrega da pasta do Salir TT dos que saíram para os que ficaram à frente deste passeio?
V.M. – A pasta passou para mim numa reunião que tivemos em novembro do ano passado (2014). A decisão já tinha sido comunicada, mas foi oficializada, digamos assim, nessa altura. Decorreu tudo normalmente, como se esperava, afinal o Salir TT é um trabalho de equipa com 25 anos, durante os quais muitos entraram e muitos saíram, é o processo natural. Claro que não é fácil sair assim, de um momento para o outro, especialmente depois de 25 anos, mas o importante é que continuamos a contar com o apoio dos que cá estiveram. Sempre que não estou a conseguir resolver alguma coisa, sei que é só ligar para qualquer um deles, que me darão toda a ajuda necessária.
V.A. – Estão previstas inovações para este 26.º Passeio Todo o Terreno?
V.M. – A inovação deste ano, se é que se pode chamar assim, é que o passeio será de apenas um dia. Até aqui eram dois dias, o sábado inteiro e o domingo de manhã, mas este ano vamos fazer tudo num só dia, neste caso no Sábado, como aliás costumam ser todos os passeios. Tivemos de pensar nos custos, nalgumas questões de logística e, especialmente, nos custos para os participantes. De resto continuará tudo igual, com todos os trâmites necessários, com a presença da Cruz Vermelha e o apoio do CNF, da CCDR, da Câmara Municipal de Loulé, da Junta de Freguesia de Salir e da GNR.
V.A. – Qual será o itinerário deste ano?
V.M. – Este ano, 80% do percurso será dentro da freguesia de Salir. Começamos pelas costas de Alte, iremos chegar até às Assumadas e recolhemos até às Barrosas, onde decorrerá o almoço. Na parte da tarde vamos subir ao Malhão, que é uma zona espetacular, onde o participante terá uma paisagem deslumbrante à sua frente… enfim, posso dizer que é um Passeio magnífico, com vistas fantásticas do Algarve, até porque 70% do passeio vai ser feito sempre no alto, a avistar paisagem…vai valer bem a pena. É um passeio à Salir TT, não preciso dizer mais. Acredito que seja mais um sucesso.
V.A. – Quantos participantes são esperados para este ano?
V.M. – É difícil saber quantos participantes esperar. As inscrições abriram no dia 1 de fevereiro, mas em média a maioria dos participantes inscreve-se nas últimas 3 semanas. O ano passado tivemos cerca de 160/170 participantes. Porém, este ano tem-se notado um grande aumento de participantes neste tipo de prova, o que penso, terá a ver com o fator económico que começa a melhorar, e felizmente algumas pessoas recuperaram a sua estabilidade. Por essa razão as inscrições este ano são limitadas.
V.A. – Existe algum tabu em relação ao rali, enquanto desporto vocacionado para os homens. As mulheres também costumam participar?
V.M. – Não existem, de facto, muitas mulheres a participar ao volante dos veículos, mas existem muitas mulheres a participar no Salir TT, enquanto acompanhantes, ou co-pilotos, podemos dizer, até porque este é um passeio de família, onde se podem inclusive participar com crianças, a partir dos 5, 6 anos, por exemplo. O nosso percurso tem segurança para isso, e todas as zonas mais radicais têm alternativas perto para quem participa com crianças, não tem o carro preparado para esses trajetos, ou para os que se queiram aventurar menos. Mas claro, este é um passeio todo-o-terreno, têm de haver algumas zonas mais complicadas, é essa a graça do passeio.
V.A. – O que está incluído na inscrição?
V.M. – A inscrição inclui todas as autorizações necessárias para participar no passeio; as refeições: pequeno-almoço, almoço, lanche, com as provas do medronho da serra, e jantar; o polar Salir TT, o carrinho de madeira, a experiência de plantar uma árvore, que será incluída no percurso e algumas surpresas.
V.A. – Como acontece a plantação de árvores durante o percurso?
V.M. – Durante o percurso, há um local previamente escolhido e preparado, onde os participantes irão parar para plantar a árvore, com o apoio e orientação de membros da Associação de Produtores Florestais da Serra do Caldeirão. As árvores plantadas serão Sobreiros, e são-nos facultadas pelo ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.
V.A. – Esse trabalho de plantação de árvores, que está incluído no Salir TT já há 20 anos, além de conscientizador, é também uma mais-valia para a serra algarvia, concorda?
V.M. – Desde que a plantação de árvores foi inserida no Salir TT, já terão sido plantadas cerca de 3000 árvores. Infelizmente nem todas vingam, mas temos a alegria de ver algumas das nossas árvores quando andamos pela serra. Alguns exemplos são os Sobreiros do Moinho da Cortelha ou os que estão entre o Monte Ruivo e as Águas Frias. Outra coisa que penso também ser importante para a serra tem sido o nosso contributo na abertura de caminhos. Por vezes, os acessos são apenas os pequenos trilhos abertos pelos caçadores. Mas depois de uma caravana como a do Salir TT passar por esses caminhos, estes ficam totalmente abertos, tornando mais fácil o acesso a um carro de bombeiros, por exemplo.
V.A. – O que diria para convencer os que ainda não se atreveram a participar no Salir TT?
V.M. – Acho que o facto de o Salir TT ter feito 25 anos já diz muito sobre este passeio. Não é qualquer um, mesmo empresa ou coletividade que atinge este marco. Somos o passeio todo-o-terreno mais antigo em Portugal, com realização consecutiva. É um passeio com história, onde as pessoas podem vir passar um bom momento e conhecer a serra algarvia. Conhecer outro Algarve.
Por Nathalie Dias


