Telmo Pinto, presidente da Câmara Municipal de Loulé e anterior presidente da Junta de Freguesia de Quarteira, chegou ao Restaurante Dancing Bar Nakofino neste domingo, 22 de março, sem imaginar que o esperava uma sala cheia de amigos prontos a homenageá-lo. Acompanhado pela esposa Lélia, foi dos últimos a entrar. Mal cruzaram a porta, todos se levantaram numa tremenda ovação. Gritos uníssonos enchiam o ar: «Telmo! Telmo! Telmo!». A surpresa estampava-se no rosto do homenageado, que não conseguia disfarçar a emoção. «O que se está a passar aqui? Fui bem enganado e poucas vezes me enganaram», confessou, ainda sem acreditar no que via. A sala estava repleta. Cem amigos, o limite que o espaço permitia, tinham-se reunido para um almoço que, na verdade, era uma homenagem sentida. As inscrições esgotaram rapidamente e muitos mais ficaram de fora, sem conseguir lugar.
Uma ideia nascida da saudade
Tudo começou com Isabel Pinto, amiga e admiradora do trabalho de Telmo Pinto. Foi ela quem pegou na ideia e a transformou em realidade. «Este almoço surgiu da vontade que os quarteirenses mostraram de o homenagear de qualquer forma, porque havia muitas pessoas que se queixavam que nunca mais o tinham visto. Claro que as funções dele agora são outras, já não aparece com a mesma frequência em Quarteira», explicou Isabel Pinto ao nosso jornal. A ideia foi ganhando forma. Primeiro, o problema da sala: não encontravam um espaço grande o suficiente. Quando finalmente acertaram com o Nakofino, perceberam que mesmo ali não cabiam todos os que queriam vir. Muitos ficaram de fora, mas o carinho não faltou. «De maneira que achámos que ele merece. É claro que alguém tinha de pegar na organização, e eu, como gosto muito de fazer coisas e sou uma amiga incondicional do trabalho que ele tem feito, uma admiradora de tudo quanto ele tem feito por Quarteira, porque a verdade é que ele pôs Quarteira no mapa, ajudou muito as associações todas, trabalhou muito connosco, tomei a braços essa situação», contou, emocionada. As bandeirinhas que decoravam as mesas foram ideia de Selma Ferreira. E havia ainda uma surpresa guardada para o final.
«Estas são as pessoas»
Também ouvimos Telmo Pinto. Visivelmente comovido, demorou-se a encontrar as palavras. Quando as encontrou, vieram do coração. «Nem tenho palavras para aquilo que aconteceu. Fui bem enganado, são poucas as vezes na minha vida que fui enganado como fui desta vez. Mas chegar aqui e ver estas caras... faltam aqui algumas, mas são estas. Eu podia ver aqui mil, dez mil pessoas, mas são estas que passaram comigo 12 anos. São estas que eu sinto, que eu não preciso muito para perceber que gostam de mim, que eu gosto deles. São verdadeiros». Falou-nos do significado daquele momento: «É amizade. Fui cumprimentar todas as pessoas, uma a uma, e estas pessoas viveram comigo estes 12 anos na junta, outras já me conhecem há mais do que isso. Mas foi muito intenso estes 12 anos, e eles estiveram sempre cá. Todos aqui de Quarteira e aqueles que escolheram Quarteira, como os italianos. Nós temos aqui uma diversidade mas são pessoas que me acarinharam muito e que eu nunca vou esquecer, independentemente do que vem no futuro». E concluiu: «Agora, o que eu sei é que este passado, esta história, me diz que estas são as pessoas. É o balanço final de 12 anos aqui. É muito gratificante. É maravilhoso».
Abraços, música e uma placa para guardar na memória
Após o almoço, Isabel Pinto entregou a Telmo Pinto uma placa comemorativa da ocasião. A sala explodiu numa nova ovação, prolongada, sentida. Os olhos do homenageado brilhavam. Subiu ao palco e dirigiu algumas palavras aos presentes. A surpresa não ficou por ali. O Grupo Coral de Quarteira, sob direção técnica do professor Ricardo Silva, subiu ao palco para um momento musical que arrancou aplausos e emocionou ainda mais a sala. A tarde ficou marcada pela alegria dos amigos que se reuniram para dizer «obrigado», e pela emoção genuína de quem, durante 12 anos, dedicou a Quarteira o melhor de si.
Jorge Matos Dias












