O Partido Socialista de Faro entende que o mais recente comunicado do PSD, pela evidente incoerência das posições que assume, justifica um esclarecimento público.

Vejamos. Há poucos meses, o PSD perguntava ao Sr. Presidente António Pina se "Saber Fazer" significava continuar os projetos do executivo anterior. Hoje critica-o precisamente por não o fazer. Há incoerências. E depois há isto.

O mais recente comunicado do PSD Faro não revela preocupação com a Cultura: revela sim uma oposição que assenta o seu discurso na demagogia e no mero aproveitamento político e que não consegue decidir qual é, afinal, a crítica que pretende fazer.

Vale a pena recordar os factos.

Ainda há poucos meses, em Assembleia Municipal, a deputada Lília Martins, da bancada do PSD questionava o Presidente António Pina sobre a continuidade de projetos herdados do anterior executivo. A pergunta era simples: onde estava o "Saber Fazer", lema sufragado pelos farenses, se o novo Executivo se limitava a executar o que vinha de trás? Hoje, os mesmos protagonistas exigem exatamente o contrário. Criticam o Município por não manter um projeto nos moldes em que existia.

Isto não é oposição. É política de circunstância, é, sobretudo, uma militância da polémica.

Governar não é repetir decisões. Governar é fazer escolhas. É estabelecer prioridades. É compreender que cada euro investido numa iniciativa deixa de estar disponível para outra. Foi exatamente isso que este Executivo fez – e que o Partido Socialista de Faro apoia e subscreve.

A decisão de tornar o Açoteia num festival bienal não representa qualquer desvalorização da Cultura. Representa, isso sim, uma opção responsável perante a realidade financeira e patrimonial do concelho. Os cerca de 200 mil euros libertados permitirão intervir na recuperação urgente da cobertura da galeria do Museu Municipal, um edifício com mais de cinco séculos cuja estrutura ruiu e cuja recuperação já não podia continuar a ser adiada.

Ou o Museu não é Cultura? Ou será que a Cultura só merece defesa quando cabe num cartaz, mas deixa de interessar quando é preciso preservar o património que lhe dá identidade?

É curioso observar o súbito entusiasmo do PSD pela gestão dos recursos públicos. Pela forma como escreve, quase ficamos com a sensação de que descobriram petróleo em Faro.

Infelizmente, quem chegou ao Executivo não encontrou petróleo: encontrou buracos. Entre os buracos das estradas e o buraco de cerca de 2 milhões de euros na FAGAR, encontrou problemas acumulados durante anos, na própria cultura. Encontrou um Teatro Lethes cuja recuperação depende da sua aquisição, num investimento na ordem dos quatro milhões de euros. Encontrou equipamentos municipais a necessitar de intervenção urgente.

Talvez por isso seja difícil compreender esta súbita ansiedade do PSD. Durante dezasseis anos governou o concelho. Durante dezasseis anos não encontrou solução para o Teatro Lethes. Ou para a tão desejada sede da ARCM. Durante dezasseis anos deixou degradar património que hoje exige investimentos milionários. Durante dezasseis anos prometeu respostas que nunca chegaram.

Agora exige, ao fim de poucos meses, aquilo que não conseguiu concretizar ao longo de mais de uma década e meia.

É legítimo fazer oposição. É até saudável para a democracia. O que já não é legítimo é transformar cada decisão responsável num exercício de oportunismo político, alimentando polémicas artificiais à custa da desinformação e da memória curta.

O comunicado do PSD não fala da Cultura. Fala de uma estratégia de desgaste político que procura explorar o desconhecimento dos cidadãos sobre matérias complexas de gestão pública. Confunde deliberadamente prioridades com abandono, responsabilidade com desinteresse e planeamento com desistência.

Mas a realidade é mais forte do que a propaganda. O PS Faro não tem dúvidas de que este Executivo continuará a investir na Cultura. Continuará a recuperar património. Continuará a apoiar os agentes culturais. Continuará a fazer escolhas responsáveis, mesmo quando essas escolhas exigem coragem política e recusam o facilitismo dos aplausos imediatos.

Concluímos. Há poucos meses, perguntavam onde estava o "Saber Fazer". Hoje criticam precisamente uma decisão que demonstra aquilo que verdadeiramente distingue quem governa de quem comenta: a capacidade de escolher e priorizar.

Há quem faça da Cultura um pretexto para criar polémicas. Nós preferimos fazer da Cultura uma responsabilidade. A diferença é simples: uns vivem da política da indignação. Nós apoiamos quem governa a cidade.

 

Pela Comissão Política da Concelhia do PS Faro