“Agora na Guiné Equatorial já há muitos lugares onde estudam português, só que por enquanto os brasileiros estão mais ali, são eles que estão a tirar mais proveito”, contou o sacerdote à Lusa, gostaria de ver os portugueses mais ativos nessa área.
Ordenado sacerdote em junho deste ano pelo bispo da Diocese do Algarve, o padre Jesus Ejocha, natural da Guiné Equatorial, é atualmente pároco em Vila do Bispo, Raposeira e Sagres, e usa como estratégias para envolver os jovens na comunidade cristã a sua paixão pelo circo, dança e teatro.
Para Jesus Ejocha, a adesão da Guiné Equatorial à CPLP representou um “regresso positivo” às origens, já que o país foi colónia portuguesa até ao final do século XVIII, tendo sido entregue à coroa espanhola, no âmbito do acordo sobre as fronteiras do Brasil.
A Guiné Equatorial, um país de maioria católica, é independente de Espanha desde o final da década de 1960, tendo sido governada desde então por regimes autoritários.
O atual Presidente, Teodoro Obiang Nguema, chegou ao poder em 1979 e tem governado o país com uma liderança forte, acusado de violações de direitos humanos e de perseguir a oposição por várias organizações internacionais.
Além do ensino do português num país em que a maioria da população fala espanhol, a adesão do país à CPLP impôs a abolição da pena de morte, uma decisão saudada pelo sacerdote que reside no Algarve, porque "só Deus pode decidir" sobre a vida humana.
“Do ponto de vista moral, ninguém tem o direito de tirar a vida a ninguém porque a nossa vida não nos pertence a nós, pertence a Deus”, observou Jesus Ejocha.
Questionado sobre casos de violação dos direitos humanos, o sacerdote guineense frisou que os católicos da Guiné Equatorial regem-se pelos mesmos princípios que os restantes católicos.
A entrada da Guiné Equatorial na CPLP é, para aquele sacerdote, positiva a “todos os níveis” e para os vários intervenientes.
Por isso, recorda a todas as partes, mesmo aos críticos do processo de adesão, que “é melhor olhar para o positivo e deixar atrás o negativo”.
Por: Lusa


