Padre da Guiné Equatorial pede mais envolvimento de Portugal no ensino no país

09:49 - 17/11/2014 ALGARVE
O padre equato-guineense Jesus Ejocha, que exerce no Algarve, apelou hoje a uma maior envolvimento de Portugal no ensino do português na Guiné Equatorial, que aderiu à Comunidade dos Países da Língua Portuguesa (CPLP).

“Agora na Guiné Equatorial já há muitos lugares onde estudam português, só que por enquanto os brasileiros estão mais ali, são eles que estão a tirar mais proveito”, contou o sacerdote à Lusa, gostaria de ver os portugueses mais ativos nessa área.

Ordenado sacerdote em junho deste ano pelo bispo da Diocese do Algarve, o padre Jesus Ejocha, natural da Guiné Equatorial, é atualmente pároco em Vila do Bispo, Raposeira e Sagres, e usa como estratégias para envolver os jovens na comunidade cristã a sua paixão pelo circo, dança e teatro.

Para Jesus Ejocha, a adesão da Guiné Equatorial à CPLP representou um “regresso positivo” às origens, já que o país foi colónia portuguesa até ao final do século XVIII, tendo sido entregue à coroa espanhola, no âmbito do acordo sobre as fronteiras do Brasil.

A Guiné Equatorial, um país de maioria católica, é independente de Espanha desde o final da década de 1960, tendo sido governada desde então por regimes autoritários.

O atual Presidente, Teodoro Obiang Nguema, chegou ao poder em 1979 e tem governado o país com uma liderança forte, acusado de violações de direitos humanos e de perseguir a oposição por várias organizações internacionais.

Além do ensino do português num país em que a maioria da população fala espanhol, a adesão do país à CPLP impôs a abolição da pena de morte, uma decisão saudada pelo sacerdote que reside no Algarve, porque "só Deus pode decidir" sobre a vida humana.

“Do ponto de vista moral, ninguém tem o direito de tirar a vida a ninguém porque a nossa vida não nos pertence a nós, pertence a Deus”, observou Jesus Ejocha.

Questionado sobre casos de violação dos direitos humanos, o sacerdote guineense frisou que os católicos da Guiné Equatorial regem-se pelos mesmos princípios que os restantes católicos.

A entrada da Guiné Equatorial na CPLP é, para aquele sacerdote, positiva a “todos os níveis” e para os vários intervenientes.

Por isso, recorda a todas as partes, mesmo aos críticos do processo de adesão, que “é melhor olhar para o positivo e deixar atrás o negativo”.

Por: Lusa