"A [estação] permite regas de jardins, portanto, campos de golfe também, agricultura e já tem uma série de contratos, alguns até foram assinados", afirmou Maria da Graça Carvalho, indicando que a água produzida será utilizada em diversas aplicações não potáveis.
Segundo a governante, a infraestrutura de Vilamoura, no concelho de Loulé, no distrito de Faro, "está preparada para consumo humano", embora essa utilização "não seja necessária neste momento".
A ministra do Ambiente e Energia acrescentou que será desenvolvido um projeto-piloto para utilização da água reutilizada na agricultura, considerando que esse passo representa "um grande avanço".
Questionada também sobre a situação da dessalinizadora do Algarve, cuja construção tem sido contestada judicialmente por ambientalistas e alvo de críticas por parte do presidente da Câmara de Albufeira, Rui Cristina, eleito pelo Chega, assegurou que “as obras decorrem dentro da normalidade”.
"Neste momento as obras estão a decorrer. Tivemos a autorização do tribunal para continuar com as obras e é isso que está a ser feito. Não há nenhuma razão para acreditar que haja alterações a isso", declarou.
A governante defendeu ainda o rigor do processo de avaliação ambiental, sublinhando que o Estudo de Impacto Ambiental foi elaborado pela Agência Portuguesa do Ambiente “com elevado grau de exigência”.
"O estudo foi feito com muito rigor, como são todos os estudos da Agência Portuguesa do Ambiente. Há, por vezes, críticas à Agência Portuguesa do Ambiente por ser muito rigorosa, por demorar, por consultar muita gente, e é isso que faz. Isso é uma segurança quando há estes casos em tribunal", afirmou.
Maria da Graça Carvalho acrescentou que, desde que assumiu funções, o ministério tem obtido decisões judiciais favoráveis nos processos relacionados com projetos ambientais contestados.
Relativamente às preocupações manifestadas pelo presidente da Câmara de Albufeira, a ministra revelou que foi criada uma comissão de acompanhamento da empreitada, tal como sugerido pelo autarca, integrando os presidentes dos municípios de Albufeira e de Loulé, representantes das associações de pescadores, juntas de freguesia e outras entidades.
Esta comissão acompanhará o desenvolvimento das obras e a execução “das medidas de mitigação ambiental, incluindo a monitorização da conduta destinada à dispersão da salmoura”, uma das principais preocupações manifestadas pelo autarca de Albufeira.
Maria da Graça Carvalho lançou hoje, simbolicamente, a primeira pedra da obra da dessalinizadora, que vai ficar instalada no concelho de Albufeira, também no distrito de Faro. Os trabalhos de construção decorrem desde abril passado.
A obra foi adjudicada por 107,92 milhões de euros ao consórcio luso-espanhol formado pela Aquapor, responsável por 11 concessões de serviços de água e saneamento em Portugal, e pelo grupo GS Inima.
Financiada em cerca de 56 milhões de euros pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), a dessalinizadora fica capacitada para converter, na fase inicial, 16 milhões de metros cúbicos de água do mar em água potável, podendo atingir no futuro os 24 milhões de metros cúbicos.
Lusa


