Chega o Inverno de rompante
Ribombando os Trovões
E a Depressão a montante
Dispersa as nossas ilusões
Trovejam os Céus carregados
De nuvens cheias de água
A «Gota Fria» rebenta
E o próprio Céu na Terra desaba
Vêm os Ventos e os Vendavais
A roupa Voa no estendal
Damos conta que somos mortais
No dia do Juízo Final
As ruas inundam de água
Que transborda dos Rios e do Mar
Os barcos no cais dão à Costa
No Inferno do próprio Mar
O infortúnio bate-nos à porta
A morte cheira-se nas ruas
A tragédia é profícua
Veiculada pelas notícias cruas
A televisão insana
Repete a desgraça alheia
Que de longe se contempla
Fazendo quem a vê cara feia
Entramos em Depressão
Quando olhamos para as nuvens escuras
Imploramos Misericórdia
Rezando em casa às escuras
O Trovestar das discussões
Lembra-nos da insanidade
De um tempo de Trovões
Que fazem da Guerra Tempestade
Lá longe rebentam bombas
E bombistas suicidas
Invadem repartições
Armadilhando as Avenidas
Noutros Países a discórdia
A inimizade alheia
A opressão e a fobia
Transforma a imigração em agonia
Fazendo da Terra inteira, apenas meia…
Agora somos indiferentes
A todo o sofrimento e desamor
Estamos e andamos dormentes
Insensíveis à própria dor
O martelar das notícias
Ecoa na nossa cabeça
Somos peças de Xadrez fictícias
Servidas na nossa própria mesa
Comemos da mesma mentira
As in.verdades à sobremesa
Somos um produto acabado
Que serve para ser consumido
Para agradar ao palato
Consumidores inveterados
De Fake News e in.formação
Somos os alimentos no prato
Que nos seduzem pelo olfacto
Quando chega a Depressão...!!...


