No âmbito da Campanha interna do PS para a escolha do candidato a Primeiro-Ministro, António Costa esteve em Loulé no Cine Teatro Louletano, onde perante casa cheia reuniu um conjunto alargado de militantes e simpatizantes oriundos de todo o Algarve, que vieram assim demonstrar o seu apoio ao candidato.

Apresentam-se de seguida as mensagens de apoio a António Costa da ilustre escritora Louletana Lídia Jorge e do poeta Nuno Júdice Mandatário Distrital.

 

Mensagem de apoio de Lídia Jorge a António Costa

 

Caro António Costa,

Este é um momento inaugural e esperançoso na vida democrática portuguesa. Ainda que precipitadas no tempo, estas eleições primárias marcam um momento de grande significado cívico. Devemos vivê-lo com entusiasmo e alegria.

Particularmente, agrada-me que António Costa o viva deste modo. Com a serenidade simples de quem vem para disputar uma ideia, um programa e um sonho. Um sonho de mudança para nós e para a Europa.

Agrada-me que esteja disposto a perder ou a ganhar com a serenidade de quem coloca o serviço que quer prestar, acima das vicissitudes do seu êxito próprio. E que o faça sem grande alarido.

Talvez seja por isso que tantos compreendem o que alguns outros não entendem. Que a sua candidatura corresponde a um anseio que muitos de nós vínhamos a sentir - A necessidade de uma liderança mais perto daquilo que o Partido Socialista deve propor ao País, nesta hora difícil.

Assim, se António Costa perder, perderemos nós todos, os que tanto ansiámos por que a sua voz se fizesse ouvir. Se António Costa ganhar, ganharemos todos para que a sua voz se cumpra. Na derrota ou na vitória, estamos consigo.

Porque o desejámos neste lugar, não estará sozinho.

Mas, porque o escolhemos a si? Em primeiro lugar, pela sua experiência de vida. O seu serviço continuado em cargos públicos, ao longo dos anos, e a forma como os desempenhou, mostra que sabe dirigir equipas, sabe ouvir os cidadãos, gerar consensos, sabe recuperar financeiramente serviços, conhece as máquinas da administração e sabe como torná-las ligeiras, conhece a dinâmica das cidades modernas e a cultura das regiões. Além disso, conhece o estado da Europa e conhece o Estado do Mundo.

Mas há uma outra razão, e ela é de carácter.

António Costa é prudente, é sereno, é um homem descentrado de si mesmo. Por isso, mais facilmente fará alianças e encontrará consensos. Em vez de querer protagonizar só por si, procurará dar oportunidade de protagonizar aos outros. Já demonstrou muitas vezes saber ajudar a ter êxito, e a partilhar o êxito. A isso se chama ser um Homem de Estado.

Por essa razão, é com alegria que, desta vez, em lugar de apoiar António Costa para governar Lisboa, o apoio para o lugar onde, em breve deveria estar - À frente de um governo para Portugal que seja para os portugueses.

Esperamos assistir a essa sua vitória! Se assim for, ela será de todos.

As melhores saudações,

Lídia Jorge

 

 

Intervenção de Nuno Júdice na sessão com apoiantes em Loulé

 

Texto integral da intervenção do poeta Nuno Júdice na sessão de apoiantes de António Costa - Mobilizar Portugal em Loulé, na quinta-feira:

Estamos num tempo em que tudo o que há duas décadas parecia impossível se tornou realidade: esfarelamento da União Europeia até ao que sucede no mundo islâmico, da falência do capitalismo à ausência de alternativas, da crise que tem destruído as nossas sociedades ao panorama ameaçador da Europa e do Mundo.

É em alturas como estas que se exigem políticos com uma cultura e uma experiência com provas que inspirem confiança. O poder hoje não é aquela florzinha cultivada com tanto amor num filmezinho publicitário, e confundir o país com um vasinho de por à janela não é uma visão adequada à seriedade deste momento.

Também não é saudável falar contra as elites num tempo em que pelo contrário essas elites, lisboetas ou não, são indispensáveis para o bom governo do país, e menos ainda tornar os políticos objecto de suspeita, com uma proposta quase inquisitorial relativa a quem aspire a essas funções. Um candidato a deputado tão puro como o que se pretende – sem qualquer ligação ao mundo real em que vivemos – terá de vir de fora, talvez seja de dar vistos gold a budistas ou esquimós para se candidatarem a uma assembleia que, com a redução a 181, terá a originalidade de vir a ser conhecida como o Parlamento capicua.

O país não pode estar a ser submetido a propostas aventureiras e muito menos pode regressar a esse tempo em que se foi buscar à província um camponês de origem, não de Montalegre mas de Santa Comba, cujo governo pôs o país a andar à nora durante quarenta e tal anos. Como algarvio, vi o que foram esses anos de burros a andar à volta da nora, e da miséria que acompanhou esse postal turístico.

Admito que tudo isto seja dito com boa intenção, mas este populismo de trazer por casa não augura nada de bom. É por isso que eu, a quem podem chamar elitista e sulista, e liberal só no gosto pelos dons rodrigos e morgados aqui desta terra a que pertenço, apoio António Costa e espero que o bom senso regresse, com a sua confirmação como candidato a Primeiro-Ministro.

 

Por: Mobilizar Portugal