Num ano em que passam 250 anos sobre as festividades da fundação de Vila Real de Santo António, recebeu a célebre Sociedade de Geografia de Lisboa, criada em 1875 e com sede no edifício contíguo ao Coliseu dos Recreios, uma jornada cultural dedicada à construção da vila pombalina edificada na margem portuguesa da foz do Guadiana, no contexto do Plano de Restauração do Reino do Algarve.

Aberta a sessão por António Luís Cansado de Carvalho de Mattos e Silva, Presidente da "Secção de Genealogia, Heráldica e Falerística", tomou da palavra o historiador Fernando Pessanha, vencedor do Prémio Defesa Nacional 2023, que ministrou a conferência "Vila Real de Santo António: geo-estratégia militar e poder na política pombalina". A preleção, que veio lançar luz sobre a História do termo de Santo António de Arenilha - eclipsada pela reconstrução pombalina da sede de concelho, em 1774 - incidiu igualmente sobre a necessidade do controlo da foz do Guadiana pelo Estado português desde a Guerra Fantástica de 1762. Segundo o historiador, a reconstrução pombalina de Santo António de Arenilha, conhecida a partir de 1775 como Vila Real de Santo António, não obedeceu exclusivamente a motivos de natureza económica, como também geo-estratégica: "a nova vila pombalina materializou a afirmação política e militar do Estado português perante o Estado espanhol na foz do Guadiana, num momento em que continuavam os conflitos bélicos entre ambas as monarquias, na América do Sul, e cujas tensões na Península Ibérica acabariam por mais tarde resultar na Guerra das Laranjas e na Grande Batalha do Guadiana de 1801, durante a qual as baterias de Vila Real de Santo António impediram a invasão do Algarve pelas tropas espanholas". 

Para além da conferência, a jornada dedicada à História de Vila Real de Santo António contou igualmente com a apresentação de uma mostra bibliográfica comissariada por Helena Grego, responsável do arquivo e biblioteca da Sociedade de Geografia de Lisboa. 

 

Fernando Pessanha

 

 

"Carta topographica do terreno comprehendido, entre a Praia de Monte Gordo e a Praça de Castro Marim na qual se fás ver a situação da vila de Santo António de Arenilha (...)". A.N.T.T., Ministério do Reino, Colecção de plantas, mapas e outros documentos iconográficos, n.º 46.