Morar num estúdio, comprado ou arrendado, é mais difícil em Lisboa e Funchal, pelos altos rendimentos necessários, conclui idealista.

O acesso à habitação em Portugal continua a ser particularmente desafiante para quem vive sozinho. Tanto as casas à venda como para arrendar continuam a apresentar altos preços de uma forma geral no país para as famílias, nos vários segmentos de mercado, mas no caso das tipologias mais pequenas os valores têm vindo a subir muito mais rápido do que os salários. Por outro lado, para os investidores que pretendem comprar uma casa para arrendar, esta pode ser uma boa oportunidade de investimento, em termos de rentabilidade.

Na prática, isto significa que para os "singles" que vivem ou estão à procura de casa para viver em Portugal - entre os quais, há diferentes perfis de procura (solteiros, divorciados, trabalhadores ou estudantes deslocados, etc) e com com distintas capacidades financeiras -, hoje em dia, arrendar casa estará a ser mais difícil do que comprar. Isto mesmo confirma a mais recente análise do idealista: uma pessoa que queira viver sozinha no país precisa de ter, atualmente, um orçamento mais alto para arrendar um T0 do que em causa estivesse um estúdio para comprar.

“Quem pretende viver sozinho enfrenta um esforço financeiro muito elevado para aceder à habitação. O facto de ser necessário um rendimento superior para arrendar um T0 do que para o comprar evidencia a pressão que continua a existir sobre a oferta de casas mais pequenas em Portugal”, comenta Ruben Marques, porta-voz do idealista.

  • O cenário de quem procura T0 para comprar

Para comprar um T0 é necessário ganhar, em média, 33.680 euros líquidos por ano em Portugal, segundo a análise publicada pelo idealista. Com este rendimento líquido, quem quer viver sozinho consegue suportar um crédito habitação com uma prestação mensal de 842 euros, suficiente para financiar a compra de casa T0 com preço mediano de 225.000 euros no início de 2026. 

Além da prestação da casa, seria necessário dispor previamente de cerca de 45.000 euros para suportar a entrada inicial e os custos associados à compra – isto para quem tem mais de 35 anos e não está abrangido pela garantia pública e isenção de IMT e de Imposto de Selo.

  • O cenário de quem procura T0 para arrendar

Por outro lado, se optar pelo arrendamento de um T0, o rendimento necessário sobe para 34.800 euros líquidos anuais, valor que permite suportar uma renda mensal de 870 euros sem ultrapassar a taxa de esforço de 30% recomendada pelos especialistas.

 

Os salários necessários para viver sozinho num T0: ilha da Madeira é mais exigente

Os rendimentos necessários para comprar ou arrendar um T0 variam significativamente consoante a localização do imóvel. No caso da compra, a ilha da Madeira é o território onde uma pessoa sozinha necessita de auferir o rendimento mais elevado: 49.400 euros líquidos anuais, além de dispor da entrada necessária bem elevada. Seguem-se Lisboa (47.520 euros), Setúbal (34.440 euros), Porto (32.920 euros), Aveiro (31.440 euros), Viana do Castelo (30.840 euros), Faro (30.680 euros) e Coimbra (30.240 euros).

Também Braga (27.400 euros), Leiria (26.720 euros), Bragança (25.440 euros), Santarém (20.960 euros), Viseu (18.720 euros), Castelo Branco (17.960 euros), Beja (16.480 euros), Vila Real (15.720 euros), Guarda (14.480 euros) e Évora (11.440 euros) apresentam exigências distintas do nível de rendimento para quem pretende comprar um T0.

Évora (11.440 euros) é o distrito onde uma pessoa sozinha necessita de auferir menos para comprar um T0, seguido da Guarda (14.480 euros) e de Vila Real (15.720 euros). É também nestes distritos onde estas casas pequenas são mais baratas.

No caso do arrendamento, Lisboa é o território mais exigente, sendo necessário auferir 40.000 euros líquidos anuais para arrendar um T0 sozinho. Logo a seguir está a ilha da Madeira (36.800 euros), Porto (34.960 euros), Faro (34.000 euros) e Setúbal (34.000 euros).

Com rendimentos necessários acima dos 25.000 euros anuais para arrendar um T0 surgem ainda Évora (29.600 euros), Aveiro (29.200 euros), Braga (28.800 euros), Coimbra (25.200 euros) e Santarém (24.000 euros). No extremo oposto encontram-se Guarda (14.000 euros), Vila Real (16.000 euros), Viseu (18.280 euros) e Castelo Branco (19.000 euros). 

 

Altos preços dos T0 no Funchal e Lisboa elevam salários para comprar ou arrendar

Entre as cidades analisadas, Funchal é a cidade onde é necessário auferir o rendimento mais elevado para comprar um T0 sozinho: 53.880 euros líquidos anuais. Seguem-se Lisboa (49.400 euros), Porto (34.800 euros), Aveiro (34.440 euros), Faro (32.920 euros), Viana do Castelo (32.000 euros), Setúbal (30.400 euros) e Coimbra (29.800 euros).

Também Braga (28.440 euros), Leiria (25.920 euros), Bragança (25.440 euros) e Viseu (22.440 euros) exigem rendimentos significativos para a compra desta tipologia.

Em várias cidades, como Évora, Guarda, Santarém, Vila Real e Ponta Delgada, o reduzido volume de T0 disponíveis para venda não permitiu realizar cálculos fiáveis.

No arrendamento, Lisboa volta a liderar, exigindo um rendimento líquido anual de 42.000 euros para arrendar um T0 sozinho. Seguem-se Funchal (36.800 euros), Setúbal (35.400 euros), Porto (35.200 euros), Faro (34.000 euros) e Braga (32.000 euros).

No extremo oposto encontram-se Guarda e Vila Real, onde basta auferir 14.000 euros líquidos anuais para arrendar um T0, seguidas de Bragança (20.000 euros) e Viseu (20.000 euros).

 

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