Autarcas manifestam-se contra condições inaceitáveis no SUB de Loulé

Em protesto desde esta manhã, Vitor Aleixo e Vítor Guerreiro, Presidentes das Câmaras Municipais de Loulé e São Brás de Alportel respetivamente, criaram um gabinete improvisado em frente ao Serviço de Urgência de Loulé, onde pretendem ficar até ao fim do dia, a despachar a documentação possível, sem no entanto deixar de marcar posição contra esta “medida injusta”.  No momento deste depoimento o Presidente Vítor Guerreiro não estava presente por motivos inadiáveis.

Segundo Vitor Aleixo, a intenção dos autarcas em protesto é «denunciar publicamente e com impacto uma situação gravíssima que se vem repetindo recorrentemente no passado», ou seja a ausência de médicos no Serviço de Urgências Básicas de Loulé. «Ontem esteve presente apenas um médico, e não esteve o dia todo. E hoje de manhã o Serviço esteve até cerca das 11h20 sem médico nenhum. Agora está a trabalhar com um, mas é preciso dizer que ontem e hoje tiveram que ser desviados médicos da Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados cancelando 20 consultas ontem e 20 consultas hoje. (…) e estão presentes porque nós estamos aqui nesta ação de protesto, porque se não, tenho a certeza absoluta que não haveriam médicos a atender as pessoas que aqui chegam» afirma o autarca louletano.

Quanto a responsabilidades, Vítor Aleixo é claro, a culpa é dos cortes: “Eu acho que é uma política de saúde inaceitável, porque a política de cortes que está a ser imposta aos portugueses é profundamente injusta. Corta-se no ensino encerrando escolas, corta-se na justiça encerrando tribunais, corta-se na saúde encerrando centros de saúde, enfim, corta-se  em tudo e a vida dos portugueses, neste caso dos louletanos, está cada vez pior. Nós, como autarcas eleitos pelas pessoas não podemos tolerar uma coisa destas, daí a razão de eu estar aqui hoje e desta forma pouco habitual de protesto.» No entanto, o autarca não desresponsabiliza a Administração Regional de Saúde (ARS) e o Centro Hospitalar do Algarve, que segundo o autarca «têm-se revelado absolutamente incompetentes para gerir esta situação». «Isto não devia estar a acontecer! Loulé é um Concelho muito populoso, é inconcebível para nós, e para aqueles que nos visitam, que nesta altura do ano são muitos, que alguma vez este serviço possa ser encerrado!» declara indignado.

Ao autarca juntaram-se muitos populares que têm manifestado o seu descontentamento com a situação e apoio ao protesto dos autarcas, organizando-se na assinatura de dois baixos-assinados: um “Protesto contra o encerramento de Serviço de Urgência Básica de Loulé” e uma “Petição em defesa da manutenção do Serviço Básico de Urgências de Loulé e na defesa do seu funcionamento com um serviço de qualidade”, este último dirigido à Presidente da Assembleia da República, organizado pelo Movimento de Cidadãos em Defesa da Saúde de Loulé.

Como balanço deste protesto, Vitor Aleixo considera terem sido atingidos os objetivos do mesmo, acreditando que este tipo de protestos «dos autarcas, sobretudo quando são apoiados pelas pessoas têm consequências, e estas podem servir de travão para que esta política brutal de cortes em serviços básicos possa ser atenuada e mesmo parada».

 

Por VC