Artes plásticas, música, artes visuais e poesia são algumas das propostas que fazem parte do programa do mês de maio da V Bienal de Poesia do Concelho de Silves, promovido pela Câmara Municipal de Silves através da sua Casa Museu João de Deus (CMJD).

Assim, na vertente de artes plásticas, a CMJD tem patente até ao próximo dia 6 de junho a exposição “Segredos”, da artista plástica Chi Pardelinha. Ainda neste âmbito, a Biblioteca da Escola Secundária de Silves recebe de 22 a 29 de maio, a exposição de trabalhos em vídeo, desenho e pintura, intitulada “Em qualquer tempo a memória”, do artista plástico Rogério Paulo Silva. Para além da comunidade escolar, a mostra é aberta ao público em geral.

Também a 22 de maio, pelas 10h30, tem lugar na Biblioteca da Escola Secundária de Silves, a iniciativa “A pele do dizível”, onde Ana Pinto e Domingos Lobo verão os seus poemas trabalhados pelos alunos 10.º, 11.º e 12.º anos, numa sessão onde haverá, ainda, espaço para um período de perguntas e respostas.

Já durante o fim de semana, e numa parceria com a Fábrica da Igreja de São Bartolomeu de Messines, a Igreja Matriz de São Bartolomeu de Messines acolhe a 23 de maio, pelas 17h30, um concerto de Harpa, com a cantora e harpista Helena Madeira.

Ainda neste dia, e pelas 21h30, Ana Pinto e Domingos Lobo regressarão a SB Messines para uma conversa sobre “O lado ígneo das sombras”, na sala polivalente da Casa-Museu João de Deus, seguida de uma sessão de autógrafos dos cadernos, pelos autores.

Mais informações sobre a TEIA poderão ser recolhidas junto da Casa Museu João de Deus através do telefone 282330189 ou do endereço de correio eletrónico casamuseu.joaodeus@cm-silves.pt.

 

Alguns dados biográficos sobre Ana Pinto:

Poeta e artista plástica portuguesa, natural de Setúbal. Estudou conservação e restauro de pintura de cavalete, tendo desempenhado funções nessa área mais de doze anos. Trabalhou para o Museu de Setúbal (1992) e posteriormente formou-se em cerâmica criativa (1998) área que ainda hoje explora juntamente com a pintura. Profissionalmente contacta também com o restauro de bens arqueológicos desenvolvendo trabalho de conservação no Museu de Arqueologia, MAEDS (2011).

A poesia acompanhou desde sempre o seu percurso artístico e escreve desde muito jovem, sendo galardoada com o Prémio APE de revelação em poesia (2004).

Participa em diversas antologias: “Recordando a Trina, antologia poética”; “Doce Inimiga”; “Um Extenso Continente”, além participar em revistas online.

A partir de 2010 traduz poetas como Gérard de Nerval, Charles Bauderaire e Garcilaso de la Veja.

Tem neste momento os seguintes títulos publicados em poesia: “O Pólen do Silêncio”; “Os Selos da Rosa”; “O Rosto de Orpheu”; “Crisol”; “Tear dos Deuses”, para além de dois Álbuns de pintura e poesia: “Ut Pictura Poesis” e “Ana Pinto, poesia e pintura”.

 

Sobre Domingos Lobo:

“Andei pelos liceus de Lisboa, rebeldia mansa dos anos 1960; pelos corredores das Faculdades de Direito (o meu remorso de um semestre), de Letras; pelos corredores austeros do Conservatório Nacional a ouvir dos professores, sobre Teatro, o que já havia esquecido e não me interessava – queríamos os interditos: Brecht, Stanislavsky, Artaud. Fiz teatro radiofónico e jornalismo para cumprir os dias e resgatar uns trocos para livros, filmes, viagens.

Meteram-me, à má fila, no negreiro Vera Cruz, rumo às terras angolanas do Cuando-Cubango. Era a guerra, e eu distraído, bebendo a propaganda salazarenta até à imbecilidade: acordei em sobressalto, numa noite de bazucas e kalachnikovs. Chana e capim a perder de vista. Escrevi um livro sobre o tema: ainda por aí anda em estudos académicos e algumas edições esgotadas: Os Navios Negreiros Não Sobem o Cuando. Foi a estreia nestas coisas de escreviver. Outros 4 romances se lhe seguiram, mais 2 livros de contos e um outro ainda por publicar (Largo da Mutamba, Prémio de conto Alves Redol/2014); 5 de poesia, um deles Prémio Cidade de Almada; peças de teatro; ensaio, antologias. Encenei uma vintena de peças, com o Tchekov e o Santareno como referências pendulares desse labor. Fui, e ainda por lá faço “uma perninha”, programador cultural na Câmara Municipal de Benavente; autarca em Salvaterra de Magos, durante 32 anos (tenho por lá uma rua com o meu nome, o que me sossega de eternidade); Presidente do Conselho Fiscal da APE desde 2000.”

 

Por: CM Silves