Em declarações à agência Lusa, o primeiro-secretário da AMAL, Joaquim Brandão Pires, afirmou que, “de um mês para o outro” cresceu em cerca de 20% a procura no transporte rodoviário intermunicipal Vamus, mas sublinhou que, tendo em conta a diferença de dias de março para fevereiro, “aumenta em cerca de 15% a procura absoluta”.
O dirigente da AMAL, entidade que desempenha funções de Autoridade de Transportes na região algarvia, frisou que a subida de passageiros foi também sentida nos transportes rodoviários geridos pelos municípios, com uma ordem de crescimento de aproximadamente 20%.
Entre os concelhos que estiveram sempre “acima dos 20%” estão Faro, Portimão ou Albufeira, precisou, sublinhando, no entanto, que o aumento no número de passageiros não justifica, para já, alterações ao nível da oferta.
“[…] As taxas de ocupação são médias, são relativamente baixas, e portanto ainda não temos necessidade”, respondeu Brandão Pires, ao ser questionado sobre eventuais medidas de reforço dos serviços para responder ao crescimento no número de passageiros.
O primeiro-secretário da AMAL admitiu, contudo, a possibilidade de vir a adaptar a oferta, “a médio prazo e se se consolidarem estes aumentos”, no número de passageiros.
Brandão Pires argumentou que os transportes são uma área em que “a própria existência de nova oferta gera novas procuras” e esse “é um dos fatores principais do crescimento do setor”, juntamente com medidas como a redução dos preços ou a criação de passes.
Os Estados Unidos e Israel lançaram em 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão e, em resposta, Teerão encerrou o estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito (GNL) mundial.
Como consequência, o tráfego de petroleiros no estreito caiu drasticamente e aumentou a instabilidade relacionada com a oferta, pressionando os preços.
A escalada do conflito no Médio Oriente, região crucial para o fornecimento global de combustíveis fósseis, está a provocar uma subida acentuada dos preços.
O dirigente da AMAL sublinhou que, após o início da guerra, foi logo sentido no distrito de Faro um “efeito na compra de títulos [de transporte]”, como passes, bilhetes avulso ou pré-comprados.
“Todos eles aumentaram logo, imediatamente, portanto foi uma resposta quase imediata, com as pessoas a supor que a escalada dos preços de combustível vinha por aí acima. Felizmente não foi tanto assim, mas começaram-se logo a preparar para outras soluções para o transporte”, acrescentou.
Brandão Pires indicou que a AMAL conta já com soluções intermodais que permitem aos passageiros “com um único título poder mudar de transporte, seja intermunicipal, seja municipal”, mas reconheceu que é preciso agora alargar estas respostas a outros fornecedores de serviços de autocarros que operam na região, mas também à rede ferroviária.
“O melhor seria se conseguisse ser também ferroviário, mas ainda não conseguimos chegar ao ferroviário”, reconheceu, considerando que a criação de um passe verde para o comboio, em todas as zonas do país onde ainda não há passes intermodais, como os que existem em Lisboa ou no Porto, veio “atrasar esta intermodalidade” na região.
Brandão Pires esclareceu que a AMAL está atualmente a “estudar, a fazer contas sobre quanto é que se tem que pagar a cada operadora” para criar um único título de transporte que permita o acesso a autocarros de outras transportadoras que operem na região.
“Gostava que no início do próximo ano letivo […] já tivéssemos isso tudo a funcionar”, estimou, ao ser questionado sobre a data para entrada em vigor de uma solução intermodal.
Lusa


