O despedimento de 12 trabalhadores do Aeroporto de Faro é uma estratégia “selvagem” para não conceder os direitos laborais e por terem recorrido à greve, disse hoje o representante do Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (SITAVA).

“Foram despedidos porque entraram numa luta em que têm feito algumas greves” reivindicando seguro de saúde, categoria profissional e possibilidade de progressão de carreira, contou o sindicalista Armando Costa à Lusa.

Na passada semana, a Portway, empresa de assistência em terra da ANA – Aeroportos de Portugal, dispensou os 12 operadores das pontes telescópicas, ‘mangas’ de saída dos aviões, do Aeroporto de Faro, dando como justificação o término do contrato de prestação de serviços com o aeroporto a 20 de abril.

A Portway, empresa de ‘handling’ (assistência em terra) nos aeroportos de Portugal (Lisboa, Porto, Faro e Funchal) é detida pela ANA e, por isso, pelo grupo francês Vinci, que adquiriu os aeroportos portugueses ao Estado português.

Após a dissolução da empresa onde trabalhavam em 2007, os 12 trabalhadores foram integrados pela Portway mas nunca lhes foi atribuída categoria profissional, situação que Armando Costa disse ser a forma que a empresa encontrou para não ter maiores encargos com os trabalhadores.

Em outubro de 2014 a Lusa já havia noticiado a luta e recurso à greve dos 12 trabalhadores, tendo na altura o representante de Faro do SITAVA referido que existem outros trabalhadores com os mesmos problemas, nomeadamente os funcionários que operam com as cadeiras-de-rodas e os que recolhem os carrinhos de bagagens no terminal.

“Quando se fala que a privatização da ANA veio trazer benefícios, os benefícios estão à vista. É assim que são tratadas as pessoas”, reagiu Armando Costa, garantindo que o sindicato vai apoiar os trabalhadores para que possam contestar o despedimento dentro dos trâmites legais.

O SITAVA e a União de Sindicatos do Algarve deram hoje uma conferência de imprensa com o intuito de alertar a opinião pública para este caso.

“A razão mais profunda deste despedimento é que estes trabalhadores estão há já algum tempo a lutar pelos seus direitos e a forma que esta empresa encontrou para resolver o problema, em vez de ser através da negociação como normalmente se faria, foi simplesmente despedir os trabalhadores”, reforçou o coordenador da União de Sindicatos do Algarve, António Goulart.

Para aquele sindicalista, o caso faz recordar a situação vivida pelos trabalhadores portugueses antes do 25 de Abril de 1974, que eram reprimidos por reivindicarem os seus direitos laborais.

Os sindicalistas apontam ainda que a rescisão do contrato de prestação de serviços é um refúgio, já que a Portway e a ANA têm o mesmo presidente, Jorge Ponce de Leão.

“Deve ter só mudado de cadeira para assinar esta situação”, comentou Armando Costa.

 

Por Lusa

Foto: www.aeroportodefaro.pt