A Ryanair vai «reduzir estrategicamente» a exposição do grupo ao combustível de aviação sem hedge no inverno, o que implica um «corte pontual» na programação de inverno da companhia aérea e afeta as previsões de crescimento do tráfego para 2027.

A Ryanair anunciou que vai “reduzir estrategicamente” a exposição do grupo ao combustível de aviação sem hedge durante a temporada de inverno, o que implica um “corte pontual” na programação de inverno da companhia aérea e afeta as previsões de crescimento do tráfego para 2027.

Num comunicado enviado à imprensa esta quarta-feira, 2 de setembro, o grupo de aviação de origem irlandesa explica que tem “80% do combustível de aviação do ano fiscal de 2027 protegido por hedge”, a cerca de 67 dólares o barril, e está “bem posicionado para registar outro ano lucrativo, embora abaixo do lucro líquido recorde do ano fiscal de 2026”.

A Ryanair diz, no entanto, que “ainda é muito cedo para fornecer uma projeção significativa de lucro líquido”, mas considera que, devido aos altos preços do petróleo sem hedge, uma vez que o combustível de aviação está a ser negociado nos 140 dólares por barril, “é sensato” reduzir a exposição do grupo durante a temporada de inverno.

A redução da exposição do grupo ao combustível sem hedge deverá, contudo, levar a um “corte pontual na programação de inverno”, que decorre entre novembro e março mas que a Ryanair diz ser “não lucrativa”, o que implica também uma redução das previsões de tráfego para o próximo ano.

“A meta de tráfego da Ryanair para o ano fiscal de 2027 é, portanto, reduzida de 216 milhões para 214 milhões de passageiros para reduzir a nossa exposição ao petróleo sem hedge neste inverno. Esperamos que o tráfego de novembro a março seja praticamente estável em comparação com o ano anterior”, acrescenta a informação divulgada.

A Ryanair diz ainda esperar que este corte na programação de inverno ajude a reduzir as perdas durante o inverno de 2026, num valor que deverá variar entre 70 a 100 milhões de euros.

Para a Ryanair, se os preços do combustível continuarem elevados, “as tarifas aéreas de curta distância na Europa aumentarão consideravelmente para refletir os preços mais altos do petróleo”, uma vez que, acredita a transportadora, “alguns concorrentes menos protegidos contra a volatilidade cambial terão dificuldades para manter a capacidade ou mesmo sobreviver à próxima temporada de inverno”.

Em novembro, data que assinala o final do primeiro semestre do ano fiscal da companhia aérea, a Ryanair conta divulgar uma “atualização adicional” relativa aos resultados dos primeiros seis meses do ano fiscal.

Tráfego de agosto sobe 6% e chega aos 214,4M de passageiros no acumulado

Entretanto, a Ryanair divulgou também as estatísticas de agosto e que mostram um crescimento de 6% no tráfego da companhia aérea, que transportou 22,2 milhões de passageiros.

Em agosto, a Ryanair operou mais de 120.500 voos e registou o cancelamento de cerca de 400 ligações aéreas devido à erupção do Monte Etna, em Itália, que destabilizou o tráfego aéreo em Itália em vários dias do mês de agosto.

Já a ocupação dos voos da transportadora aérea manteve-se nos 96%, permanecendo inalterada face a mês homólogo do ano passado.

No acumulado desde o início do ano fiscal de 2026 até agosto, a Ryanair já transportou 214,4 milhões de passageiros, aumento de 5% face aos 203,6 milhões de passageiros transportados no mesmo período do ano passado, com a taxa de ocupação a manter-se nos 94%, inalterada face ao acumulado de 2025.

 

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