O Museu Municipal de Loulé encontra-se a dinamizar a iniciativa «Ronda das Freguesias», um percurso itinerante que visa aproximar a cultura e a história local de todos os habitantes do concelho.

Depois de ter passado com sucesso por Alte, Salir, Querença, Ameixial e Almancil, a “Ronda” continuou esta quinta-feira, 16 de abril, em Quarteira, com apresentação no local da Exposição 6000 Anos de História. Uma exposição concebida pelo historiador Daniel Giebels, que apresentou aos quarteirenses este projeto num momento de grande participação dos presentes, que partilharam as suas memórias daquela data.

Destaque para a presença de um grupo de utentes da AHDPA – Associação Humanitária dos Doentes de Parkinson e Alzheimer, num exercício de memória, sempre salutar e desejável nestas patologias, também com partilha das suas lembranças daquele dia. Pelas mãos dos presentes passaram cópias de processos da PIDE envolvendo quarteirenses, lembrando a situação difícil que se viva em Portugal antes da Revolução. O roteiro continua assim pelas diversas comunidades, levando a cada freguesia um pedaço da memória coletiva louletana.

Um percurso que não para

A organização anunciou também um reforço no itinerário para a próxima semana, com a integração das freguesias de Tôr e Benafim na rota oficial, nos dias 20 e 22 de abril, respetivamente. Uma oportunidade para que as comunidades mais rurais do concelho também possam aceder a esta oferta cultural de proximidade.

Em cada local, a “Ronda” leva consigo testemunhos, documentos e narrativas que contam a história de Loulé e das suas gentes, uma história que não se esgota nos grandes centros urbanos, mas que se fez e faz no território, nas aldeias, nas ruas, nas casas de todos.

Culminância no Dia da Liberdade

O grande encerramento deste projeto terá lugar no dia 25 de Abril, data que simboliza a liberdade conquistada e a democracia construída. Para assinalar a efeméride, o Museu Municipal promove, às 15h00, uma visita orientada à exposição “A Revolução da Esperança – Memórias do 25 de Abril no Concelho de Loulé”.

Esta atividade constitui uma oportunidade única para o público conhecer de perto os episódios e os protagonistas que marcaram o movimento democrático na região. Documentos, fotografias, objetos e relatos pessoais dão corpo a uma narrativa que recorda como se viveu Abril em Loulé, os anseios, as lutas, as conquistas. Uma visita que promete ser tanto um momento de aprendizagem como de profunda emoção.

Descentralização cultural como compromisso

Com esta iniciativa, o Museu Municipal de Loulé reafirma o seu compromisso na descentralização cultural, levando energia, património e proximidade a cada canto da nossa terra. A cultura não deve ser privilégio de poucos nem ficar confinada aos grandes equipamentos centrais. Deve sair à rua, ir ao encontro das pessoas, escutar as suas memórias e partilhar as suas histórias. A participação nas atividades é aberta a toda a comunidade, sem qualquer custo. Um convite a redescobrir as raízes, a celebrar Abril e a sentir que a história de Loulé é, afinal, a história de cada um de nós.

 

Jorge Matos Dias