Com efeito, na passada sexta-feira, no âmbito da discussão, na especialidade, do Orçamento de Estado para 2017, uma proposta do Bloco de Esquerda para isentar a Via do Infante de portagens voltou a ser chumbada, desta vez só com os votos contra do Partido Socialista, enquanto o PSD e o CDS/PP se abstiveram, pois sabiam que a sua abstenção permitiria a reprovação da proposta. PS, PSD e CDS/PP voltaram a trair de novo o Algarve e as suas populações.
António Costa e o seu governo estão a ser uma grande desilusão e a comportar-se da mesma forma que o anterior governo, no que se refere às portagens no Algarve. O 1o Ministro durante a campanha eleitoral prometeu estudar o contrato da PPP e até admitiu eliminar as portagens no Algarve, a principal região turística do país, reconhecendo que a EN125 estava transformada num “cemitério”. E a PPP é um
contrato muito ruinoso para o país e os contribuintes, com rentabilidades para a concessionária acima dos 10%. Até agora o 1a Ministro nada fez e as promessas devem ser cumpridas.
A EN 125, uma verdadeira “rua urbana”, cuja requalificação nunca mais tem fim, com obras paralisadas, está de facto transformada num “cemitério”. Esta via foi considerada, há pouco tempo, como a estrada mais perigosa e mortífera do país e o Algarve vai chegar ao final do ano com mais de 10.000 acidentes rodoviários. Segundo dados da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, os acidentes continuam a aumentar, mesmo com uma parte da EN125 requalificada, o que prova que esta via não representa qualquer alternativa. Entre 1 de janeiro e 15 de novembro deste ano ocorreram no Algarve 9.243 acidentes (mais 715 do que em 2015 e mais 1.755 do que em 2014), com 27 mortos e 142 feridos graves. No mês de agosto passado tivemos na região quase 50 acidentes por dia e a média anual é de 35 vítimas mortais e 160 feridos graves. Uma tragédia muito grande e que tem de terminar quanto antes.
Só resta ao Algarve continuar a luta pela abolição das portagens. A Comissão de Utentes agendou para o próximo dia 8 de dezembro, 5o aniversário da introdução das injustas e arbitrárias portagens no Algarve, um conjunto de ações, a começar por um almoço-convívio pelas 13.00 horas na sede do Motoclube de Faro, seguido de debate com o tema: “Portagens na Via do Infante – Que consequências e que futuro para o Algarve?” No final terá lugar uma marcha lenta, com partida do Motoclube pelas 16.00 horas. Irão ocorrer outras ações.
A Comissão de Utentes apela à participação nestas iniciativas
“Por um Algarve livre de portagens”.


