Euribor evoluiu em diferentes sentidos em outubro perante manutenção dos juros do BCE, que adiou subida das taxas para dezembro.

Depois de passarem os últimos meses a crescer, as taxas Euribor perdem gás em outubro, terminando o mês com a média mensal inalterada no prazo mais curto, a avançar no intermédio e a descer no mais longo. Assim, as prestações da casa nos créditos habitação a taxa variável vão manter-se praticamente inalteradas em novembro face ao mês anterior, subindo ligeiramente no caso da Euribor a 6 meses.

Esta é uma boa notícia, numa altura em que a venda de casas e a procura por empréstimos habitação está em queda em Portugal devido aos altos preços e custos de financiamento, a par de regras mais restritivas na concessão destes créditos.

 

Euribor evolui em vários sentidos em outubro

Em outubro, as taxas médias mensais da Euribor tiveram trajetórias distintas nos vários prazos:

  • Euribor a 12 meses: fixou-se em 3,239% em outubro de 2026, menos 0,008 pontos percentuais (p.p.) em comparação com setembro. Esta é a primeira descida nos últimos quatro meses, embora a taxa continue entre as mais altas observadas em dois anos; 
  • Euribor a 6 meses: média mensal subiu para 2,975%, mais 0,053 p.p. do que no mês anterior. Embora tenha abrandado o ritmo de subida, continua a ser a taxa mais elevada desde o final de 2024;
  • Euribor a 3 meses: manteve-se inalterada em 2,635% em outubro. Continua a ser preciso recuar ao início de 2025 para encontrar uma taxa tão alta.

 

A evolução da Euribor ao longo do mês de outubro acaba por refletir a manutenção dos juros diretores por parte do Banco Central Europeu (BCE) na semana passada, que já era amplamente esperada pelos analistas de mercado numa altura em que o aperto dos juros da dívida pública em vários países já está a aumentar o custo do financiamento na zona euro, tendo um efeito de aperto monetário semelhante à subida dos juros pelo regulador europeu. 

Agora, os analistas apontam que o BCE vai avançar com a terceira subida dos juros diretores desde o início da guerra no Médio Oriente na última reunião do ano, agendada para 17 de dezembro. A confirmar-se, a principal taxa de referência subirá para 2,75% com o objetivo de trazer a inflação na zona euro de volta ao patamar dos 2% (agora está acima de 3%, sobretudo, devido aos preços da energia). E, assim, deverá continuar a pressionar a Euribor para cima.

Prestações da casa mantêm-se na Euribor a 12 meses e no prazo mais curto

O travão à Euribor sentido em outubro surge depois de as taxas estarem a subir a bom ritmo desde o início do conflito no Médio Oriente (que se agravou a 28 de fevereiro). E reflete-se diretamente nos novos créditos habitação a taxa variável, com variações mensais das prestações nulas ou de baixa dimensão.

É isso que mostram as simulações do idealista/créditohabitação, que têm em conta um empréstimo da casa a taxa variável contratado em novembro de 2026 (que usa a média mensal da Euribor de outubro) no valor de 150.000 euros, com spread 1% e prazo de 30 anos:

  • Euribor a 12 meses: a prestação da casa será de 737 euros nos doze meses começados em novembro de 2026, valor igual face a um crédito contratado no mês anterior. Mas trata-se da prestação mais elevada desde o verão de 2024;
  • Euribor a 6 meses: a prestação da casa a pagar em novembro e nos cinco meses seguintes será de 714 euros, mais cinco euros do que quem contratou o crédito em outubro. Também se trata da maior prestação desde novembro de 2024;
  • Euribor a 3 meses: a prestação da casa será de 685 euros nos primeiros três meses do contrato, igual à de quem contratou no mês anterior. Este é o maior valor desde o arranque de 2025.

Apesar das tréguas da Euribor no último mês, a verdade é que os custos com o crédito habitação a taxa variável já cresceram dezenas de euros desde o início do conflito no Médio Oriente.  As prestações da casa nos novos créditos indexados à Euribor a 12 meses subiram 87 euros desde o início da guerra. No caso da Euribor a 6 meses, a prestação subiu 71 euros. E, no prazo mais curto, a prestação da casa cresceu 52 euros em mais de oito meses de conflito.

As prestações da casa mais altas face ao início do ano acabam por pesar mais nos orçamentos familiares, elevando a taxa de esforço, a qual passou a ter o limite máximo de 45% desde agosto por recomendação do Banco de Portugal (BdP). Todos estes fatores acabam por tornar a concessão de crédito habitação em Portugal mais difícil. E já se sentem os seus efeitos, com o BdP a indicar que “o nível geral das taxas de juro contribuiu ligeiramente para a diminuição da procura de empréstimos na habitação” no verão de 2026, esperando que assim continue até ao final do ano.

Para contornar os ajustes mensais das taxas Euribor e ter alguma tranquilidade nas prestações da casa nos primeiros anos do contrato, a grande maioria das famílias continua a contratar novos empréstimos habitação a taxa mista (representa 86% dos novos créditos em setembro, segundo o BdP). Apesar de se terem ajustado lentamente ao aumento do custo do dinheiro, tudo indica que os bancos estão a rever para cima as ofertas de taxas mista e fixa, ajustando-se ao novo contexto dos altos juros na dívida pública que tocam perspetivas das taxas no longo prazo.

 

Créditos habitação existentes – atenção à subida das prestações 

Embora nos últimos anos a taxa mista seja o principal tipo de juros contratado (50% do total), ainda cerca de 46% dos empréstimos para habitação própria e permanente existentes no país são a taxa variável, segundo os dados do supervisor bancário relativos a setembro. Além disso, há que ter em conta que as taxas mistas geralmente só fixam os juros durante 2, 3 ou 5 anos, pelo que depois a prestação da casa passa a estar indexada à Euribor.

Para quem está a pagar um empréstimo habitação a taxa variável (ou mista em período variável), não há boas notícias caso a revisão da prestação da casa esteja agendada para novembro. A Euribor a 12 meses fixou-se em outubro num valor bem mais elevado (3,239%) do que há um ano (2,187%). E também a Euribor a 6 meses – a mais utilizada no país – está mais alta (2,975%) face há um semestre (2,454%). 

A dimensão do agravamento das prestações da casa revistas em novembro dependerá também de outros fatores, como do montante em dívida e do prazo do contrato. O impacto da subida dos juros será maior para quem tiver créditos habitação recentes (pois a parcela dos juros é maior) e para quem tiver pedido ao banco montantes mais elevados.

Neste contexto de agravamento das prestações da casa, importa lembrar que há formas de tentar aliviar esta pressão adicional sobre o orçamento familiar: renegociando o crédito, pedindo uma revisão do spread, renovar o prazo fixo na taxa mista ou até transferir o crédito habitação para outro banco. Amortizar o crédito habitação também é uma opção e poderá ficar mais barato em breve, uma vez que foi aprovado um projeto de lei do Chega que vem eliminar a comissão de reembolso antecipado nos contratos de crédito habitação com taxa de juro variável (de 0,5%).

 

Idealista News