Inaugurada a sinalética do Caminho de Santiago em Faro e Loulé, nos passados dias 2 e 3 de julho de 2016, e lançada a trajetória da sinalização a fixar pelo corredor central do Itinerário Cultural Europeu no sul de Portugal, com base nas memórias da Ordem Religiosa e Militar de Santiago, marca-se um momento histórico no Caminho de Santiago Português, concretizado pela intercedência da Delegação de Faro da Associação Espaço Jacobeus junto das comunidades locais.

Apoiada na Ordem Franciscana Secular - Fraternidade de Faro, a AEJ Faro viu facilitado o leverage do processo social de patrimonialização da herança histórica (quase esquecida) que liga o Algarve a São Tiago, nos apoios concedidos pela da Câmara Municipal de Loulé, ANA Aeroportos de Portugal, Câmara Municipal de Faro, Turismo do Algarve e Junta de Freguesia de Santa Bárbara de Nexe, e que tornaram possível a receção dos especialistas ibéricos com os quais se lançou o debate em torno das verdadeiras possibilidades de fundamentação do Caminho de Santiago desde o Algarve, particularmente Faro e Loulé.

Conclui-se deste lançamento que as memórias associadas ao Caminho, quer na perspectiva do Apóstolo São Tiago, quer da Ordem Religiosa e Militar de Santiago, encerram diversos obstáculos, e que "há memórias em conflito, e há conflitos nas memórias" como refere o Prof. Luis Filipe Oliveira, especializado em História Medieval da Universidade do Algarve. Abrangeu-se desde a verusimilitude da presença de Santiago na Península Ibérica no séc. I dC apresentada com o Presidente da Cofradia de Santiago de Madrid - Dr. Alberto Solana de Quesada - até aos efeitos da peregrinação Compostelana nos que a experimentam, seu impacto a nível individual e coletivo, com o escritor Luis Ferreira e fotógrafo Nuno Sousa.

Os líderes associativos presentes confirmaram a adesão natural e voluntária das pessoas à temática, sem divergência de opinião entre o norte e sul de Espanha e Portugal, no testemunho do Presidente da Fundação do Caminho de Santiago, sediada em Pontevedra, da Associação Via Augusta - Camino de Cadiz e dos presidentes da Associação Espaço Jacobeus e Associação de peregrinos Via Lusitana.

A adesão e a alegria estiveram bem patentes em todos os momentos do encontro, principalemente na colocação dos azulejos e sinalética do Caminho de Santiago no início do Caminho Central (Largo da Sé de Faro) e nos pontos de conexão com a 2ª etapa (Largo da Igreja Matriz de Loulé e Rua de Portugal).

E se este processo de patrimonialização no Algarve compreende criar uma herança comum de algo que existe mas que não é partilhado por todos, foi importante a presença balizadora do Centro de Investigação sobre o Caminho de Santiago Português, e do Centro de Estudos em Arqueologia, Artes e Ciências do Património da Universidade de Coimbra, e em particular dos signatários da candidatura dos Caminhos Portugueses de Peregrinação a Santiago a Património da UNESCO: Domingos Carneiro, José Luís Sanchez e Paulo Almeida Fernandes.

Mas a voz do Caminho de Santiago que inicia em Faro não se teria ouvido tão alta, se não fosse resultado da participação voluntária e incondicional de amigos do Caminho de Santiago do Algarve e entidades sensibilizadas a fazer "do Caminho algo nosso", e que colaboraram no reconhecimento de percursos e divulgação do encontro, nomeadamente a Oficina de Acogida al Peregrino de Santiago de Compostela, Diocese do Algarve, Folha de Domingo, Direção Regional de Cultura do Algarve, União de Freguesias de Querença, Tôr e Benafim, Trilhos de Amor, Zen Trek, Walking Festival do Ameixial, Escalfadinhos Marafados, Fiscalnexe, entre outros.

Faça-se uma menção especial ao Grupo de Voluntários no Caminho de Santiago entre Faro e Almodôvar - grupo aberto ao público que reúne na Igreja de São Francisco em Faro à segunda 4ª-feira de cada mês, entre as 19:00 e as 20:00 e que convida a todos os que desejam participar no reconhecimento do corredor central, e descobrir mais ou partilhar as suas experiências no Caminho de Santiago em geral.

As próximas atividades relacionadas com os Caminhos do Algarve esperam-se muito em breve, com a colocação de azulejos sinalética nos pontos de ligação das 4 etapas do Caminho Central, entre Loulé e Almodovar, bem como no início do Caminho Nascente em Tavira.

 

Por: AEJ Faro