Uma nova plataforma de recolha de fundos (crowdfunding) entra hoje em atividade para reunir verbas, junto de toda a sociedade, e financiar 15 pequenos negócios apoiados por um projeto da Cáritas Portuguesa, visando o combate ao desemprego.

Os projetos foram selecionados a partir de um conjunto de 144 entrevistas a empreendedores de todas as faixas etárias, preferencialmente em situação de desemprego, no âmbito da iniciativa Cria(C)tividade, da Cáritas, agora com o apoio do Novo Banco, que disponibilizou uma plataforma para o desenvolvimento de 'crowdfunding'.

"Não temos qualquer orçamento [para estes projetos], portanto temos de encontrar mecanismos disponíveis no mercado para ajudar a financiar estes empreendedores, pode ser o microcrédito, através da linha MicroInveste e falamos com o Novo Banco", explicou hoje à agência Lusa Mafalda Ferreira.

A técnica da Cáritas, que acompanha o projeto CRia(c)tividade, referiu que o Novo Banco "já tinha a plataforma de 'crowdfunding' e criou em paralelo uma nova plataforma para submeter estes projetos, não só para divulgar, mas também para ajudar a implementá-los".

Estão a ser desenvolvidas 15 microempresas e muitas outras estão em estudo, especificou.

Seis iniciativas são submetidas, em simultâneo, na nova plataforma por um período de 90 dias e, feita a divulgação, a sociedade civil tem a possibilidade de apoiar cada um dos projetos com montantes que podem ir de um euros a 100 euros ou mais, recebendo a uma recompensa, que depende do tipo de atividade ajudada.

Os montantes necessários para o arranque das microempresas situam-se entre 500 e 5.000 euros, segundo Mafalda Ferreira, e, se o valor apontado pelo projeto for atingido antes dos 90 dias, ele sai da plataforma e entra outro do grupo dos 15 previamente escolhidos pela Cáritas.

"O processo é contínuo, não iremos parar nestes 15, o ideal é implementar estes, verificar o sucesso, dar continuidade ao projeto e implementar novas microempresas", resumiu.

Uma consultoria de serviços de meteorologia, em Beja, uma consultoria agrícola, em Santarém, um gabinete de estética e um serviços de entrega de refeições no emprego ou em casa, ambos em Lisboa, são algumas das propostas de negócio em desenvolvimento.

De Idanha a Nova foram escolhidos três projetos, um de animação socio-cultural, chamado Casa dos Dias Felizes, uma iniciativa de guia turístico e passeios pedestres e o 'aromas do valado', baseado em destilação de plantas autótones através de "procedimentos ancestrais" para obter produtos como chás ou sabonetes.

O grupo de 15 microempresas também incluem ainda uma produção de pastéis de nata de figo da índia sem ovos ou o fabrico de sacos recicláveis.

O Cria(c)tividade foi desenvolvido pela Cáritas e cofinanciado pelo Programa Operacional de Assistência Técnica e pelo Fundo Social Europeu. Os projetos empresariais que avancem vão contar com apoio de técnicos durante mais dois anos.

 

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