Manuel Teixeira Gomes foi, no fim de tarde do passado dia 20 deste mês, o verdadeiro Escritor e Coleccionador por muitos – para não dizer quase todos – olvidado ou desconhecido.

 

Foi uma lição magnífica! Tudo começou por uma colecção de livros das obras completas de Manuel Teixeira Gomes que os pais do Prof. Doutor Fernando António Baptista Pereira possuíam nas prateleiras da sua biblioteca e que o orador na sua juventude leu cheio de interesse. Foi a partir daí que teceu, de forma incisiva, a verdadeira estatura de Manuel Teixeira Gomes: falou do homem, da sua vida, do diplomata e do político, do seu mandato como Presidente da República, do alto cargo de Vice-Presidente da Sociedade das Nações, das suas relações familiares e do desgosto dos pais em que não seguisse o Curso de Direito com que sonhavam. Falou dos seus amores com a filha de um homem simples – do que o vulgo diz, homem do povo – falou da sua irreverência face aos conceitos morais instituídos, do seu exílio voluntário e da suas viagens para projectar os seus negócios de frutos secos, viagens essas que aproveitou para se documentar sobre outras culturas, sobre outros valores, sobre outras artes.

Mas foi a sua figura de Escritor que dominou a palestra. A excelência de uma prosa que permanece esquecida e a sua relação com a chamada Geração de 70 (dez anos mais velha que o homenageado) abordando nesse seu retrato, quase ao pormenor, cada uma das sua obras.

Terminou a sua comunicação referindo-se a Manuel Teixeira Gomes no seu aspecto particular de coleccionador, da colecção de frascos de rapé da China e de caixas para medicamentos e selos de escrita e de guardas de mão de espadas do Japão que doou ao Museu Machado de Castro (onde já existia uma outra colecção doada pela poeta Camilo Pessanha). Apesar do seu interesse, as colecções continuavam sem serem expostas ao público, e foi aí que o Prof. Doutor Fernando António Baptista Pereira conheceu José Diogo Henriques Sêco Ribeiro, já falecido (a quem dedicou a palestra) quem primeiro começou a estuda-las recorrendo depois aos vastos conhecimentos de arte e de museologia do orador. As colecções foram entretanto doadas ao Museu do Oriente, em Lisboa, e sob direcção museológica do Prof. Fernando António Baptista Pereira expostas ao público. Foi sobre os objectos expostos que o orador terminou a sua palestra descrevendo, magistralmente, todo o contexto histórico e social que envolve cada um dos objectos.

 

Por Casa Algarve Lisboa