Depois de terem estado durante vários anos sem poderem integrar bombeiros nos seus quadros, os municípios de Faro, Olhão, Loulé e Tavira uniram-se para uma recruta conjunta para a formação de bombeiros municipais, que decorre até dezembro, sob a monitorização da Escola Nacional de Bombeiros.
Com 23 anos, Cristiana é uma das seis mulheres que integram o grupo de 34 aspirantes a bombeiro, profissão que começou a admirar quando a sua casa, na serra de Tavira, quase ardeu na vaga de incêndios que assolou aquela zona do Algarve, em 2004.
"Candidatei-me a este curso porque quero que a minha vida seja útil, que tenha um propósito e esta é uma profissão que existe apenas para fazer o bem", contou a jovem à Lusa, observando que nenhum dos vários empregos que já teve até hoje a preencheu.
Apesar de ser uma profissão que comporta riscos, a família de Cristiana aceitou a decisão "com grande orgulho", mesmo depois de ter visto a sua habitação quase a ser devorada pelas chamas.
"Queria fazer parte dessa minoria capaz de enfrentar aquele mal", sublinhou, acrescentando que a profissão também a atraiu pela sua versatilidade, já que os bombeiros têm muitas outras missões além de apagar fogos.
Segundo disse à Lusa o presidente da Escola Nacional de Bombeiros, José Ferreira, o modelo de formação que está a ser desenvolvido no Algarve é pioneiro, porque, pela primeira vez, há um conjunto de quatro municípios a integrar o projeto.
"A estrutura de formação é igual, a novidade é o facto de estarem envolvidos quatro municípios, em parceria com a Escola Secundária de Loulé", onde vai decorrer a formação, composta por 995 horas e em que aproximadamente 60% corresponde à componente prática.
Admitindo que o Algarve tem falta de mais bombeiros, o comandante operacional distrital, Vítor Vaz Pinto, aplaudiu o "esforço" dos quatro municípios e espera que a formação se venha a repetir para que o dispositivo no Algarve fique mais equilibrado.
A par destes 34 novos bombeiros municipais, que são profissionais e exercerão a função a tempo inteiro, o Algarve concluiu recentemente o recrutamento de 55 bombeiros voluntários, observou aquele responsável.
Já o presidente da Comunidade Intermunicipal do Algarve, Jorge Botelho, sublinhou que "era bom que houvesse mais bombeiros", contudo, este é o número "possível", para já.
"A intenção dos presidentes é reforçar os corpos de bombeiros municipais, porque precisam de ser rejuvenescidos", referiu o também presidente da Câmara de Tavira, lembrando que o último recrutamento de bombeiros para aquele município foi em 2009.
A formação de 34 bombeiros recrutas irá decorrer até final do ano, com formadores dos corpos de bombeiros do Algarve, sob a monitorização da Escola Nacional de Bombeiros.
Ao ser realizada na região, permitirá aos municípios reduzir os custos operacionais da formação.
Por: Lusa


