O Festival Contrapeso regressa de 27 a 29 de novembro para a sua 6.ª edição, com uma programação que cruza teatro visual, jazz contemporâneo, circo e música, reunindo artistas e criações com percursos internacionais. Sob o tema “Less is More”, o festival organizado pela Mákina de Cena reforça a sua ambição artística com uma seleção de espetáculos que circulam pelos grandes palcos e festivais internacionais. Este ano, o Contrapeso chega também a Lagoa, que se junta a Faro e Loulé, alargando a sua presença no Algarve.
Depois de uma edição de sete dias, em 2025, cruzando "Arte e Academia" o festival escolhe agora concentrar a programação em três dias e quatro propostas artísticas de forte identidade. A direção artística é de Marco Martins e Carolina Santos, que assumiu também a direção artística de Loulé 2028, no âmbito da candidatura do município a Capital Portuguesa da Cultura.
«O Contrapeso chega à sua 6.ª edição e leva à letra o tema “Less is More”. Depois de, em 2025, termos apresentado um programa de sete dias, cheio de espetáculos, colóquios, concertos, workshops, masterclasses e conferências, em 2026 escolhemos fazer diferente: diminuímos a duração e aumentamos a escala. Apostamos em espetáculos de excelência, por artistas de renome internacional, e acrescentamos uma nova cidade ao mapa do festival: Lagoa, que se junta a Loulé e a Faro», afirma Carolina Santos, codiretora do festival.
A edição deste ano assinala também um momento de transição no percurso do Contrapeso. Ao fim de seis edições, o festival aproxima-se do encerramento de um ciclo, abrindo espaço à reflexão sobre novos formatos e possibilidades futuras. Uma mudança que acompanha a vontade de criar oportunidades de encontro e circulação para o setor cultural nacional e internacional, tendo o Algarve como ponto de partida.
Uma viagem pelo teatro de marionetas, jazz contemporâneo e artes circenses
O Contrapeso arranca a 27 de novembro, no Teatro das Figuras, em Faro, com “Moby Dick”, uma criação da companhia franco-norueguesa Plexus Polaire, dirigida por Yngvild Aspeli, uma das figuras de referência do teatro de marionetas contemporâneo. Premiado e apresentado internacionalmente, o espetáculo regressa a Portugal depois de, em 2021, ter conquistado o público nacional, incluindo em apresentações esgotadas no Teatro Nacional D. Maria II, no âmbito do FIMFA Lx. Com sete intérpretes em palco, cerca de meia centena de marionetas, projeções de vídeo e uma baleia em tamanho real, esta adaptação do clássico de Herman Melville transforma a perseguição da baleia branca numa experiência visual de grande escala, onde o teatro físico, a manipulação de marionetas e a linguagem cinematográfica se cruzam. A criação tem percorrido palcos e festivais de todo o mundo, incluindo o aclamado Festival Internacional de Marionetas de Chicago.
A 28 de novembro, no Cineteatro Louletano, em Loulé, chega “Jokers”, projeto liderado pelo virtuoso acordeonista francês Vincent Peirani, um artista reconhecido mundialmente, ao lado do guitarrista Federico Casagrande e do baterista Ziv Ravitz. Entre o jazz contemporâneo e o rock alternativo, o trio desconstrói e reinventa repertórios, transformando temas reconhecíveis em composições de energia imprevisível. Com uma abordagem musical arrojada e um diálogo constante entre os três instrumentos, “Jokers” explora novas possibilidades sonoras e confirma a capacidade de Peirani para ultrapassar fronteiras entre géneros musicais.
O Contrapeso encerra a 29 de novembro com uma programação dirigida às famílias, repartida por dois espaços e duas propostas distintas. Na mákina.b, em Loulé, a companhia portuguesa Baal17 – Companhia de Teatro apresenta “Uni-verso”, um espetáculo inspirado no Tanabata, uma celebração tradicional japonesa que evoca o encontro, os desejos e os laços entre as pessoas. Mais tarde, no Auditório Carlos do Carmo, em Lagoa, os franceses Les Frères Colle apresentam “Drum Brothers”, um espetáculo visual e musical que cruza percussão, malabarismo, acrobacia e humor. Em palco, três intérpretes polivalentes transformam o ritmo em movimento e o movimento em música, numa composição de energia contagiante que tem conquistado públicos em festivais e programas de televisão em França. Uma proposta para todas as idades, onde o virtuosismo circense e musical se combina com o humor e a surpresa.
Um festival em transformação
Organizado pela Mákina de Cena, o Festival Contrapeso nasceu da vontade de complementar a programação cultural municipal e regional com uma oferta artística independente, contemporânea e transdisciplinar. Ao longo de seis edições, construiu um espaço de encontro entre diferentes linguagens artísticas e públicos, trazendo ao Algarve criações e artistas com percursos nacionais e internacionais.
A edição de 2026 representa, por isso, mais do que uma nova programação: marca o fim de um ciclo e o início de uma reflexão sobre o que poderá ser o Contrapeso no futuro. A próxima etapa permanece em aberto, mas parte de uma convicção que tem acompanhado o festival desde o início: a de que a criação artística contemporânea pode encontrar no Algarve um lugar de circulação, descoberta e encontro com o mundo.
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