A pintora, cujo mérito cultural mereceu da cidade de Loures a atribuição do seu nome à rua onde vivia e teve ateliê, faleceu na quarta-feira, no Hospital de Faro, segundo fonte da família.
"Pintora neofigurativa ou abstratizante, nunca deixou de experimentar, desenquadrada de escolas e estéticas. Viajou, nas suas próprias palavras, do surrealismo à abstração, do realismo ao expressionismo, passando pela cinética e as colagens", recorda o Presidente da República numa nota de pesar.
Também o ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, divulgou hoje uma nota de pesar destacando a personalidade e obra da artista plástica e poeta, que - considerou - "ao longo das últimas décadas nos brindou com uma voz própria, enriquecendo o património cultural coletivo".
Nascida em Lisboa, em 1936, Ana Maria Gago da Câmara Botelho de Medeiros, mais conhecida por Ana Maria Botelho, estudou com os mestres Eduardo Malta e João Reis.
Frequentou o curso de formação em Filosofia das Artes e Ciências no Institute de Mortefontaine, em Paris, cidade onde se licenciou em Artes Plásticas pela Escola Superior do Louvre.
Participou em diversas exposições coletivas em Paris e Roma, fez a sua primeira exposição individual em Lisboa, em 1963, e no ano seguinte recebeu o Prémio Revelação de Pintura Portuguesa atribuído pela imprensa.
Além de Lisboa e Paris, viveu também em Roma, e conviveu com artistas, intelectuais e colecionadores de arte como Peggy Guggenheim, Camus, Picasso, Cocteau, Marais e Nureyev.
Está representada em dezenas de coleções nacionais e estrangeiras, incluindo o Museu de Arte Contemporânea da Fundação Gulbenkian, o Hermitage e o Guggenheim.
De acordo com a família, o corpo estará em câmara ardente na Basílica da Estrela, em Lisboa, na sexta-feira, a partir das 18:00.
Por: Lusa


