“O ano letivo que hoje termina foi mais um ano perdido. Um ano perdido na resolução do problema da falta de professores, na mais do que urgente valorização do estatuto da carreira docente”, sintetizou um dos secretários-gerais da Fenprof.
Francisco Gonçalves falava em conferência de imprensa de balanço do ano letivo que hoje termina com o fim das aulas do Pré-escolar e do 1.º ciclo, antes de um plenário de professores em Viseu.
“Foi também um ano de experimentalismos do Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI). Experimentalismo na reorganização do Ministério, a vertente da reforma do Estado na administração pública e experimentalismo no novo paradigma da avaliação externa dos alunos, mais digital e mais redutora”, indicou.
Segundo as contas da Fenprof, no ano letivo 2025/26 “os problemas não foram resolvidos e, como se isso não bastasse, foram criados novos problemas”, como por exemplo o “agravamento da carência de professores” nas escolas públicas “com implicações” no ensino privado.
“A dimensão do problema aumentou e alargou-se progressivamente a todo território nacional" e aquilo que “estava circunscrito às áreas metropolitanas de Lisboa e do Algarve” chega agora também aos distritos de Leiria, Castelo Branco, Portalegre, Vila Real, Braga e Porto, sendo os últimos dois “os mais afetados”.
Francisco Gonçalves insistiu que o ministro Fernando Alexandre “dois anos após tomar posse, não consegue responder a uma pergunta muito simples: quantos alunos ficaram sem aulas por inexistência de professor” colocado.
Sem dados oficiais, mas com estimativas da Fenprof, Francisco Gonçalves apresentou 22.042 horários, o que corresponde a 407.372 horas letivas neste ano letivo que hoje termina “sem professor para responder a essa necessidade”.
“Os valores mais elevados dos três últimos anos. Estes dados indiciam que foram na ordem das dezenas de milhares, este número ultrapassou os 30 mil alunos por semana que não tiveram aulas por falta de professor – no segundo período a média tinha sido na casa dos 40 mil”, indicou.
Ou seja, há crescimentos de 32,8%, no número de horários, 39,2%, no número de horas e 27,2% no indicador relativo aos alunos, comparando com o ano letivo anterior.
Para a Fenprof os concursos de 2026 “revelam sinais preocupantes” e as aposentações são um outro indicador relevante que “ameaça comprometer o funcionamento da escola pública”.
“Nas próximas duas décadas e meia, o número de professores que atinge a idade da aposentação é de quatro mil por ano. Este ano vai ficar abaixo das quatro mil, sabemos que há 1.500 professores que adiaram a sua aposentação”, adiantou.
Perante os dados revelados, o secretário-geral exigiu ao ministro o “assumir as responsabilidades”.
“Há milhares de euros a serem gastos em horas extraordinárias; há muitos professores que prolongaram a sua aposentação, mas isso não permite resolver o problema do ponto de vista estrutural, porque as quatro mil, em média, que vamos ter ao longo dos próximos 20 anos, é um movimento imparável”, indicou.
Francisco Gonçalves defendeu que “é necessário recuperar os que abandonaram a profissão, manter os que estão e que os mais novos ingressem na profissão e isso só se faz melhorando o que é oferecido”.
O dirigente da Fenprof concluiu que, num ano em que “os professores voltaram à rua” e “não foram iniciativas folclóricas, foram manifestações de insatisfação e de exigência de resolução” dos problemas, se em setembro ou outubro os problemas não forem resolvidos "haverá, certamente, mais dias de luta e de greve” no próximo ano letivo.
Lusa


