Segundo a decisão, que consta das deliberações do 1.º trimestre do regulador da saúde, hoje divulgadas, o utente deu entrada nas urgências do hospital de Faro na sequência de um acidente rodoviário e esteve quatro horas para ser observado pela primeira vez.
Enquanto aguardava, começou a sentir falta de ar, tendo sido levado para a sala de cirurgia, onde os médicos perceberam que tinha uma hemorragia interna, acabando por falecer.
Ouvida pela ERS, a unidade de saúde admitiu alguns constrangimentos nas urgências, decorrentes das dificuldades em contratar médicos e enfermeiros.
O hospital, contudo, considerou que o aparente rápido agravamento do quadro clínico (com aceleração da frequência de pulso e descompensação respiratória) do doente “não parece decorrer diretamente” dos constrangimentos de falta de pessoal, podendo, ao invés, estar relacionado com a condição de base do utente, que tinha cirrose hepática.
Acrescenta que o utente já tinha ido anteriormente 44 vezes à urgência.
Na decisão, a ERS ordena à ULS do Algarve que tome medidas para assegurar “a devida interiorização e assunção da permanente” da necessidade de salvaguardar a qualidade e segurança dos cuidados de saúde prestados, designadamente no que toca à ativação da Via Verde AVC e Trauma.
Diz ainda que o hospital deve adotar os procedimentos internos necessários para garantir que os cuidados de saúde são prestados aos utentes com qualidade, celeridade e prontidão, não os sujeitando a períodos de espera “excessivamente longos” e fazendo retriagens sempre que excedido o tempo alvo fixado no sistema de triagem de Manchester.
Lusa


