Foi com esse espírito que me dirigi aos portugueses: com respeito por todos os eleitores, por todos os candidatos e, acima de tudo, com a convicção de que a democracia portuguesa é mais forte quando se constrói na inclusão, no diálogo e na recuperação da confiança de quem não acredita, não participa ou que escolhe o protesto inconsequente, que nada resolve.
Ao longo deste caminho, semeámos esperança e colhemos confiança. Confiança num projeto que não pertence a um partido, nem a uma fação, mas que se afirma como a casa comum de todos os democratas, progressistas e humanistas. Um projeto livre, independente, sem amarras, que coloca Portugal acima de qualquer interesse particular.
A democracia venceu. E continuará a vencer sempre que soubermos unir os portugueses em torno do chão comum que nos permite viver em liberdade e segurança, conviver com dignidade e afirmar a realização plena de cada pessoa, sem distinções, sem exclusões, sem rótulos. Não há portugueses de primeira nem de segunda. Somos todos Portugal.
Regressei à vida pública para unir, nunca para dividir. O Presidente da República deve ser o Presidente de todos, leal à Constituição, defensor dos valores fundamentais e atento às reais dificuldades das pessoas. Há muito para cuidar e muito para mudar. A começar pela saúde, onde o acesso atempado aos cuidados é hoje uma exigência ética e democrática. Mas também na desigualdade persistente entre mulheres e homens, na pobreza que atinge demasiados portugueses, nos salários e pensões insuficientes e na falta de habitação que bloqueia o futuro dos mais jovens.
A política que faz sentido é a que melhora a vida das pessoas. A política com propósito, com ambição e com exigência. Um país moderno e justo precisa de um Estado que funcione, de uma economia mais competitiva, de empregos qualificados e de salários dignos. Precisa de criar riqueza para gerar oportunidades de afirmação individual ou comunitária e garantir que o futuro não é sinónimo de emigração forçada dos jovens e de adiamento permanente da autonomia.
Escolho a esperança como bandeira. Não uma esperança vazia, mas uma esperança ancorada no trabalho, no mérito, na igualdade, no cuidado com os mais velhos e no investimento nos jovens. Uma esperança que aposta no conhecimento, na ciência, na inovação, na cultura e na identidade que nos une como povo. Uma esperança que pensa nas próximas gerações quando decide no presente.
Na minha visão de Portugal, todos contam. Cada cidadão, cada região, cada comunidade tem um papel a desempenhar. É urgente recuperar o sentido de comunidade e reforçar o nosso chão comum, condição essencial para vivermos em paz, com coesão e com qualidade de vida crescente entre gerações.
É também nesse quadro que importa valorizar tudo aquilo que reforça a democracia de proximidade e a ligação entre cidadãos e território. Um país que não deixa ninguém para trás é um país atento aos sinais que podem fragilizar essa ligação, incluindo aqueles que afetam o acesso à informação e à participação cívica em algumas zonas do interior. A coesão nacional constrói-se garantindo igualdade de atenção e de voz em todo o território e onde existirem portugueses.
Este é um tempo de escolha: entre o medo e a esperança, entre a divisão e a união, entre o extremismo e a democracia serena. Portugal é mais forte quando se mobiliza pela positiva, quando confia em si próprio e quando escolhe líderes que unem, cuidam e respeitam.
Por amor a Portugal, continuaremos este caminho, onde cabem todos os democratas, com equilíbrio, ambição e esperança. A vitória que procuramos não é de um contra outro. É a vitória da democracia, da liberdade e de um país inteiro que acredita no seu futuro. Já a 8 de fevereiro.
António José Seguro
Candidato a Presidente da República




