A Voz do Algarve – Conte-nos um pouco sobre o seu percurso musical.
Teresinha Landeiro – Na verdade sempre gostei de cantar, desde muito pequenina. Tinha o hábito de fazer espetáculos para os meus avós e para os amigos que os acompanhassem. Mais tarde, percebi que o que gostava realmente era de cantar em português. Comecei por cantar as músicas do festival da canção e mais tarde descobri o fado. Tinha precisamente 11 anos. No dia em que fiz 12 anos a minha mãe levou-me ao «Bacalhau de Molho» para ouvir a Ana Moura ao vivo. Tive a oportunidade de conversar com ela e em conversa de circunstância acabei por dizer que cantava os fados dela. Convidaram-me para cantar e tudo começou nessa noite. Fui a algumas coletividades, fui ao «Braço de Prata», que na altura tinha umas noites de fado organizadas pelo Hélder Moutinho e mais tarde conheci a «Mesa de Frades», que pertence ao guitarrista Pedro de Castro, onde hoje em dia canto todas as sextas-feiras. Mas nunca tive formação musical, tive, na verdade, aulas de canto e algumas aulas de piano. Mas confesso que sei pouco de música. Tudo aquilo que faço é de forma intuitiva.
V.A. – O fado é a sua preferência por excelência, ou também tem gosto por outros estilos musicais?
T.L. – Como anteriormente referi, o fado passou a ser uma paixão a partir dos 12 anos. Antes do fado e em paralelo com ele, sempre ouvi outros estilos de música. No entanto, considero que o facto de ter passado a pertencer ao meio do fado me fez conhecer várias pessoas de um enorme interesse musical que me mostraram várias coisas, que eu não conhecia, e que passei a venerar. O Pedro de Castro tem um papel crucial nesse enriquecimento musical.
V.A. – Participou em vários concursos, em vários dos quais alcançou o primeiro lugar. O que significaram essas vitórias na sua carreira?
T.L. – Considero que nenhuma dessas vitórias teve um papel importante no meu percurso. Na verdade, não gosto de competir, nem do formato dos próprios concursos. Mas isso é do meu feitio.
V.A. – Como se sentiu quando subiu ao palco para o seu primeiro concerto, no Ritz Clube, em 2012. Que memória guarda desse momento?
T.L. – Foi um momento importante, como é óbvio. Mas aquele que vejo como o meu primeiro concerto é o concerto que dei no CCB – Centro Cultural de Belém, em novembro do ano passado. Foi a primeira vez que encarei um público totalmente sozinha, isto é, era a única voz do concerto, porque na verdade não estava sozinha, tinha três músicos fantásticos.
V.A. – Já participou em concursos, gravou CDs e subiu ao palco com vários artistas, que influência tiveram os grandes fadistas na sua carreira?
T.L. – O contacto com outros fadistas, e outros músicos, enriquece sempre o nosso caminho. Temos sempre alguma coisa a aprender com os outros, pois cada um de nós tem um estilo, uma identidade. Por isso é que podemos cantar os mesmos fados e estilamos de maneiras completamente diferentes. Para além disso, os grandes fadistas têm um percurso que merece ser divulgado e apreendido, pois tiveram outras vivências e porque também eles contactaram com outros. E, na realidade, é assim que o conhecimento vai passando ao longo das gerações.
V.A. – Quais as suas referências no mundo do Fado e da música em geral?
T.L. – Tenho tantos fadistas que eu admiro... Cada um pelas suas razões. Seria injusto enumerá-los correndo o risco de me esquecer de algum. Gosto muito da nova geração, mas gosto de igual forma da antiga. Todos eles têm coisas para ensinar. Já passei muitas horas em busca de fadistas que não estão tão à mão do grande público, com enorme pena minha. Fadistas fantásticos de quem ninguém se lembra. Seria tão bom relembrá-los um dia…
V.A. – É a sua primeira atuação no Algarve. Quais as suas expetativas para o espetáculo no CineTeatro Louletano?
T.L. – Nunca atuei no Algarve, mas conheço Loulé há muito tempo. Quanto às expectativas, nunca sei o que esperar… Claro que espero o melhor. Tenho noção que o meu nome é muito pouco conhecido fora de Lisboa, por isso, uma das coisas que desejo é que aqueles que arriscarem ouvir-me não saiam do concerto arrependidos (risos).
V.A. – Pretende seguir no mundo da música enquanto profissão, ou irá terminar os seus estudos em Engenharia Biológica e seguir essa área, mantendo o Fado como uma paixão paralela?
T.L. – Tenho o hábito de dizer sempre o mesmo. Sempre gostei muito de estudar e adoro cantar, como tal não podia deixar de fazer nenhuma das coisas. Estou certa de que levar uma vida a cantar é algo muito mais feliz, nem que seja porque o reconhecimento é sentido de imediato aquando das palmas. No entanto, seria incapaz de deixar o meu curso a meio, porque é algo que também me fascina. E nunca coloco de parte a hipótese de vir a trabalhar nessa área.
Por Verónica Chapuça


