O Cineteatro Louletano voltou a ser palco deste momento alto da celebração da Revolução dos Cravos em Loulé, e que teve como convidada a reitora da Universidade do Algarve, Alexandra Teodósio.
Na sessão de abertura, Silvério Guerreiro, presidente da Assembleia Municipal de Loulé, fez um enquadramento dos acontecimentos internacionais e nacionais que marcam a atualidade. A nível local, sublinhou “o relacionamento proativo, de diálogo e respeito das autarquias locais, Assembleia Municipal (deliberativo), Câmara Municipal (Executivo), Assembleias e Juntas de Freguesia, com um intenso trabalho prévio e tem traduzido uma aparente facilidade na condução dos assuntos municipais”.
Depois de nomes como a escritora Lídia Jorge ou o músico Dino D’Santiago, este ano coube a Alexandra Teodósio proferir algumas palavras alusivas à data maior da democracia portuguesa. No seu discurso, a académica destacou o papel do ensino superior como pilar da democracia local, promovendo a educação, a justiça social e a produção de conhecimento aplicado ao território. A comunicação enfatizou a UAlg como um produto da democracia, nascida para democratizar o acesso ao ensino, e que hoje colabora ativamente com o concelho de Loulé em projetos de referência, como o Geoparque Algarvensis, o futuro Campus da Saúde e também na formação de jovens cidadãos
“A educação é a forma mais justa de quebrar o ciclo da exclusão”, disse a reitora, reiterando que “o ensino superior não é um luxo; é uma infraestrutura democrática” que, de acordo com a oradora, protege a liberdade através da formação, produção de conhecimento e servindo a comunidade.
Alexandra Teodósio destacou a Universidade do Algarve como um “exemplo fora do comum”, tendo nascido diretamente do processo de democratização do país para “corrigir desigualdades regionais históricas”. Recordou o papel relevante do louletano Manuel Gomes Guerreiro, primeiro reitor da UAlg, enquanto o grande responsável por lançar uma “semente” que hoje floresce com mais de 11000 estudantes de 110 nacionalidades.
A académica revelou dados que explicam bem a ligação entre Loulé e a instituição: depois de Faro, este é o concelho com maior percentagem de alunos inscritos na UAlg (cerca de 17%), destacando-se não só pela quantidade, mas pela qualidade e pelo número de bolsas de excelência atribuídas aos estudantes louletanos.
Olhando para o futuro, a representante da Universidade alertou para os riscos da "era do burburinho online" e da desinformação. Defendeu que a democracia moderna exige uma "decisão informada" e que o ensino superior deve atuar como uma infraestrutura crítica que protege a liberdade através do rigor científico e do diálogo.
“Ser digno de Abril exige que o conhecimento saia do papel e entre na vida das pessoas”, disse, apontando o exemplo do Geoparque Algarvensis (recentemente distinguido pela UNESCO) como o modelo ideal de colaboração entre a academia, os municípios e o território.
E dentro destas parcerias falou ainda sobre o futuro Campus da Saúde no Parque das Cidades, com acordo em negociação entre Faro e Loulé, em articulação com o Hospital Central do Algarve. Uma “ambição clara” da Universidade do Algarve que tem como objetivos aproximar ensino superior, investigação e prática clínica; criar melhores condições para o crescimento da formação em Medicina e nas Ciências da Saúde; reforçar a investigação clínica e a inovação; e contribuir para fixar profissionais na região, com impacto direto na qualidade dos cuidados e na sustentabilidade do sistema.
“Este não é um projeto apenas da universidade. É um projeto que só faz sentido como projeto regional, feito com os municípios, com a Unidade Local de Saúde, com o Estado e com as comunidades. É uma expressão de democracia local madura: uma democracia que sabe investir em infraestruturas que melhoram a vida real e que sabe fazê-lo com planeamento, parceria e visão de longo prazo”, disse ainda.
Depois da reitora, coube aos representantes das bancadas com assento nesta Assembleia darem voz ao sentido de Abril, em particular na vida comunitária, através dos discursos protocolares de João Apolónia, da Iniciativa Liberal, Isilda Guerreiro, do CDS-PP, Renato Monteiro, do CHEGA, Ivone Machado, do PS, e Irina Martins, do PPD-PSD.
No seu primeiro discurso nas comemorações do 25 de Abril enquanto presidente da Câmara Municipal de Loulé, Telmo Pinto disse que “hoje, mais do que nunca, é fundamental defender os valores de Abril”, num mundo ameaçado por ideias antagónicas aos seus princípios. “É nossa missão, é nosso dever, com responsabilidades acrescidas pelo facto de ocuparmos cargos públicos, combater os populismos que hoje se espalham por muitos dos países democratas”, frisou o autarca.
No encerramento dos trabalhos, Silvério Guerreiro, presidente da Assembleia Municipal de Loulé, lembrou os homens que integraram a Comissão Administrativa Democrática, órgão instalador da Câmara de Loulé empossada a 19 de julho de 1974, presidida por Barros Madeira.
No ano em que se assinalam os 50 anos da entrada em vigor da Constituição da República Portuguesa, este responsável falou do papel das Assembleias Municipais como centro do poder local democrático. Nesse sentido, elencou alguns pontos do trabalho que tem sido feito no concelho de Loulé, como as Assembleias Municipais Jovens, a realização de Assembleias Municipais temáticas (dedicadas a matérias como a mobilidade, erosão costeira ou habitação), numa aposta de aproximar cada vez mais os eleitos dos cidadãos.
“O elo de confiança entre os cidadãos e a política só se reforça com a revalorização da política local e a afirmação da cidadania, sendo as Assembleias o espaço adequado para essa afirmação e defesa intransigente do interesse geral”, disse ainda Silvério Guerreiro.
A sessão ficou marcada ainda por outros momentos musicais, com a interpretação de “A Queda do Império”, “Verdes são os Campos” e “Somos Livres”, pelos grupos participantes, culminando com o hino nacional “A Portuguesa”.
CM Loulé


