Os produtores e operadores de citrinos do Algarve enfrentam desafios significativos no escoamento de seus produtos, exacerbados pelas elevadas importações de laranjas do Egito e da África do Sul.

Nos últimos anos, temos vindo a observar um aumento crescente da dependência de importações de citrinos de países fora da União Europeia, o que pressiona os produtores e operadores algarvios a competir em condições desiguais.

Segurança Alimentar e Sustentabilidade

A União Europeia impõe rigorosos regulamentos para garantir a segurança dos alimentos produzidos dentro das suas fronteiras. No entanto, é crucial que os mesmos padrões sejam exigidos para produtos importados, assegurando assim a saúde dos consumidores e a integridade do mercado.

Por outro lado, o consumo de produtos importados aumenta a pegada de carbono associada ao transporte de mercadorias a longas distâncias e constitui um perigo para a entrada de pragas e doenças de outros países no continente europeu.

Condições de Trabalho

Outro ponto de preocupação são as condições de trabalho nos países exportadores. A agricultura europeia cumpre normas laborais rigorosas, que garantem salários justos e condições de trabalho seguras. É essencial que a UE promova o comércio justo, assegurando que os trabalhadores em toda a cadeia de abastecimento sejam tratados com dignidade e respeito.

Balança Comercial

A dependência crescente de importações afeta negativamente a balança comercial da UE: dados dos últimos dois anos mostram que uma balança comercial que foi sempre positiva pode passar a negativa a partir de 2030. Consumir produtos nacionais fortalece a nossa economia, tornando-nos menos dependentes de outros países.

Em 2024 e 2025, Comissão Mista dos Citrinos de Portugal, França, Itália e Espanha - da qual a AlgarOrange faz parte - enviou a Declaração da Corsega e a Declaração de Bastia, respetivamente, para a UE e para os Governos dos seus países. Estes documentos apresentam um conjunto de medidas a adotar urgentemente, nomeadamente: o tratamento de frio obrigatório para importações de países onde existem pragas quarentenárias; o reforço dos controlos fronteiriços, com inspeções mais frequentes e realização de análises; a alocação de orçamento adequado para prevenir a entrada de pragas e doenças; a suspensão das importações de produtos tratados com substâncias proibidas na EU; a harmonização das substâncias ativas dos produtos fitossanitários e a proibição de sustâncias ativas apenas quando existam alternativas eficazes, acessíveis e economicamente viáveis.

Adicionalmente, estas Declarações destacam a necessidade de reciprocidade nas normas comerciais e fitossanitárias, incluindo a implementação de cláusulas "espelho" nos acordos comerciais para garantir que os produtos importados atendam aos mesmos padrões exigidos aos produtores europeus. Também é solicitado que os citrinos sejam reconhecidos como um "produto sensível" nas negociações internacionais, protegendo assim a competitividade dos produtores europeus.

A AlgarOrange acredita que os consumidores devem ter acesso a informação para fazerem as suas escolhas de forma sustentada e defende que a colaboração dos decisores portugueses e europeus é fundamental para assegurar um presente e futuro sustentáveis para a agricultura europeia.

Escolher e defender a IGP - Citrinos do Algarve é proteger a riqueza, a qualidade e a sustentabilidade da citricultura algarvia e o acesso dos consumidores a produtos saudáveis.

 

A Direção da AlgarOrange