O relatório da auditoria do Tribunal de Contas (TdC) hoje divulgado analisa o caso concreto daquele doente, ocorrido em dezembro do ano passado, e conclui ainda que o inquérito aberto pelo Centro Hospitalar do Algarve (CHA) “tem falhas graves e foi totalmente inconsequente, em termos de apuramento de responsabilidades”.
O TdC conclui ainda que o inquérito aberto pelo Centro Hospitalar do Algarve “tem falhas graves e foi totalmente inconsequente, em termos de apuramento de responsabilidades”, tendo a auditoria identificado "falhas de organização e de procedimento na assistência ao doente que implicaram perdas de tempo de cerca de 15 horas”.
“O Centro Hospitalar do Algarve não tem qualquer comentário a fazer ao relatório de auditoria emitido pelo Tribunal de Contas a propósito de todo o processo de assistência ao utente que infelizmente viria a falecer”, reagiu hoje o CHA - que engloba os hospitais de Faro, Portimão e Lagos, numa resposta enviada à Lusa.
A mesma fonte considerou que “o referido processo foi alvo de processos de averiguação interna e das entidades competentes, nomeadamente a Entidade Reguladora da Saúde, bem como Tribunal de Contas, os quais emitiram as suas recomendações”.
A atual administração do CHA, que assumiu o cargo em março, garantiu que “o Centro Hospitalar do Algarve acata, como deve e é procedimento interno, todas as recomendações emitidas pelas respetivas entidades no sentido de corrigir eventuais falhas que possam ser imputadas ao CHAlgarve, bem como no sentido de garantir a melhoria continua da prestação de cuidados”.
Também o presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Algarve (CHA) à época dos factos, Pedro Nunes, recusou fazer comentários ao relatório do Tribunal de Contas, considerando que não aponta críticas substanciais à forma como o doente foi tratado na unidade de saúde algarvia.
“Não comento decisões nem auditorias do TdC. Nunca comentei e a minha posição continua a ser a mesma. Os auditores servem para isso mesmo, para dar a sua opinião, e as recomendações que são feitas até nem são feitas ao hospital de Faro”, afirmou Pedro Nunes em declarações à agência Lusa, recordando que já não exerce funções na administração do CHA.
O anterior presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Algarve (CHA) disse que, no que se refere ao hospital de Faro, o relatório do TdC “a única coisa que diz é que o inquérito [interno] não foi tão completo”, mas contrapôs que “o inquérito do Hospital de Faro é um inquérito de natureza clínica” e “não tem possibilidade de ver como outras entidades agiram”.
“O inquérito tem insuficiências, pois tem, porque o inquiridor foi um diretor de serviço do hospital, mas só tem capacidade para inquirir o que se passou dentro do hospital. E o que se passou dentro do hospital, clinicamente, não foi diferente do que ele inquiriu nem o doente foi prejudicado por isso”, considerou.
Pedro Nunes realçou que “não foi feita nenhuma crítica ao procedimento dentro do hospital” e o relatório “faz recomendações no que se refere ao encaminhamento do doente” para outras unidades de saúde.
O homem de 74 anos tinha diagnóstico de AVC isquémico e foi transferido do Hospital de Faro para o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, onde acabou por morrer, no dia 28 de dezembro.
O Centro Hospitalar do Algarve realizou um inquérito, que acabou por ser arquivado, mas o Tribunal de Contas diz ter detetado “diversas insuficiências organizacionais e procedimentos”.
Na sua auditoria, o TdC descreve um erro na triagem do Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM): “O não registo, pelo INEM, de queixas relevantes apresentadas pelo doente, aquando da chamada de emergência, que pode ter implicado um atraso no atendimento em cerca de seis horas”.
Entende o Tribunal de Contas que o registo completo da informação pelo CODU poderia ter resultado no seu encaminhamento direto para o serviço de urgência de Faro, o que não aconteceu, tendo o doente sido enviado inicialmente para as urgências de Vila Real de Santo António.
Por: Lusa


