A Federação de Bombeiros do Algarve pediu hoje ao Governo medidas imediatas para mitigar o impacto do aumento dos combustíveis, considerando insuficientes os apoios anunciados e alertando para o risco de paralisação de viaturas de socorro.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da federação, Steven Sousa Piedade manifestou “enorme preocupação” com a situação da tesouraria das corporações, sublinhando que “o financiamento e a autonomia financeira das associações são limitados”.

Admitindo tratar-se de uma decisão difícil, o responsável não excluiu a possibilidade de paralisação de meios: “Se não tivermos dinheiro para abastecer as viaturas, algumas terão de parar. Estamos a falar de viaturas pesadas de combate a incêndios e de ambulâncias. Como é que vamos decidir parar um meio de socorro? Mas se não houver combustível, não há alternativa”, alertou.

Como exemplo, referiu o caso da corporação de bombeiros Cruz Lusa de Faro, que consome em média mil litros de combustível por semana, “o que representa um acréscimo mensal de cerca de dois mil euros”, com um impacto anual de 24 mil euros.

O responsável criticou ainda os apoios anunciados pelo Governo, que preveem 360 euros por viatura pesada e 120 euros por viatura ligeira, considerando-os “manifestamente insuficientes”.

O Governo aprovou na segunda-feira a alteração temporária do regime do Imposto sobre Produtos Petrolíferos (ISP) para prolongar o alívio fiscal nos combustíveis, cujos preços têm escalado devido ao conflito no Médio Oriente.

“O Governo diz que os 120 euros correspondem a uma redução de 10 cêntimos por litro. Numa ambulância, esse valor esgota-se em dois dias de serviço”, afirmou, apontando o exemplo de uma corporação como a de Portimão, que realiza diariamente três a quatro transportes urgentes para Faro.

“Ficamos com 28 ou 29 dias do mês sem qualquer apoio”, argumentou.

A Federação de Bombeiros do Algarve defende, por isso, “a redução imediata do IVA e do Imposto sobre Produtos Petrolíferos (ISP)” aplicados ao combustível utilizado pelos bombeiros, considerando que “só assim será possível garantir um alívio efetivo dos custos”.

“Essa, sim, seria uma medida visível”, sublinhou.

O dirigente alertou também para a aproximação da época alta, período em que se verifica um aumento significativo da atividade operacional dos bombeiros, questionando “como poderão as corporações responder sem reforço de apoio”.

Para o responsável, as medidas anunciadas pelo Governo “não servem minimamente o propósito de socorrer a população”, seja na emergência pré-hospitalar, no combate a incêndios ou no transporte de doentes não urgentes.

Steven Sousa Piedade apontou o exemplo de Espanha, onde foi adotada uma redução de 60 cêntimos por litro no gasóleo, contrastando com os 10 cêntimos aplicados em Portugal.

“Assim, não conseguimos continuar a cumprir a nossa missão. Se não forem tomadas outras medidas, será muito complicado manter as viaturas ao serviço da população”, concluiu.

 

Lusa