Montante total de empréstimos da casa atingiu os 116,8 mil milhões de euros em junho, um novo máximo, revela BdP.

Os bancos nunca emprestaram tanto dinheiro para comprar casa como agora. O montante total de crédito habitação concedido em Portugal voltou a registar um máximo histórico ao atingir 116,8 mil milhões de euros no final de junho. Trata-se de um aumento anual de 10,9%, sendo a maior subida registada em 23 anos, anunciou o Banco de Portugal (BdP).

“O stock de empréstimos para habitação ascendeu a 116,8 mil milhões de euros no final de junho, um aumento de 1.056 milhões de euros relativamente ao mês anterior”, revelou o BdP no boletim divulgado esta segunda-feira, dia 27 de julho. Este é mesmo o maior valor registado pelo supervisor bancário desde 1979, data do início da série.

Em comparação com o mesmo mês do ano passado, o montante total concedido em créditos habitação em Portugal cresceu 10,9%, tratando-se da “maior subida registada desde fevereiro de 2003”, assinala o banco central. “A taxa de variação anual dos empréstimos para habitação manteve, assim, a trajetória de aumento iniciada em 2024, e com dinamismo superior ao verificado ao nível da área do euro [que cresceu 3% em junho]”, acrescenta ainda.

Mas porque é que o valor total de créditos habitação está a crescer de forma tão acelerada e a atingir novos máximos? Embora se tenha sentida uma “ligeira redução” da procura por empréstimos da casa no segundo trimestre de 2026, os preços das casas continuam a aumentar a dois dígitos, elevando os montantes dos créditos. 

Além disso, assistiu-se a uma corrida ao crédito bancário para comprar casa nos últimos meses perante os apoios para os jovens até aos 35 anos (isenção de IMT e garantia pública) e taxas de juro mais acessíveis - agora estão a subir, refletindo os efeitos da incerteza financeira provocada pela guerra no Irão.

Também se perspetiva que a procura de crédito habitação vá arrefecer este verão, perante os altos preços das casas conjugados com os juros mais elevados e novo aperto de regras pelo BdP, nomeadamente na redução do limite máximo da taxa de esforço de 50% para 45%, uma recomendação macroprudencial que entra em vigor a 1 de agosto.

O novo quadro macroeconómico incerto e com juros mais elevados parece também se estar a refletir no lado do montante total de crédito concedido a empresas de construção e de imobiliário. Embora continue a crescer a dois dígitos refletindo o dinamismo da nova construção e reabilitação, o BdP indica que “o crédito ao setor da construção e atividades imobiliárias continuou a desacelerar, atingindo uma taxa de variação anual de 11,6% (11,9% em maio)”.

 

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