Os apoios comunitários para projetos de duplo uso são “uma janela de oportunidade” para as empresas portuguesas avançarem na área da economia da defesa, disse hoje, em Loulé, o presidente da Eurodefense Portugal, António Figueiredo Lopes.

Dirigindo-se a empresários algarvios na sessão “Economia da Defesa – Uma Oportunidade Estratégica para as Empresas do Algarve”, aquele responsável frisou que a economia da defesa vai além da indústria do armamento e que o desenvolvimento de serviços, produtos ou tecnologias com aplicação civil e militar é uma oportunidade para as empresas portuguesas.

Apesar de não ser uma aliança militar, a União Europeia passou a ter parte dos fundos comunitários disponível para apoio a projetos de duplo uso que podem ser importantes para o desenvolvimento de tecnologias e produtos.

A Associação Empresarial da Região do Algarve (NERA) acolheu a quarta sessão sobre a plataforma e a estratégia que o Ministério da Defesa Nacional criou com o intuito de dar a conhecer as oportunidades de negócio que as pequenas e médias empresas portuguesas podem ter no mercado da defesa, organizar missões empresariais no estrangeiro, promover sinergias e protocolos com outros países.

O ministro da Defesa Nacional, Aguiar Branco, esteve presente na sessão realizada em Loulé, distrito de Faro, e admitiu que muitos questionem o que tem o Algarve a ver com a economia da defesa.

Segundo aquele responsável, o Ministério da Defesa Nacional decidiu mudar de paradigma e passou a encarar a defesa também como um mercado com abastecimento diverso e não apenas na área do armamento, onde as empresas nacionais, em todas as suas dimensões, podem ter uma oportunidade para o mercado nacional mas também para a exportação.

“É diversificado, são vários segmentos e haverá com certeza aqui no tecido empresarial do Algarve a possibilidade de também apresentarem as suas propostas”, explicou aos jornalistas o ministro à margem do evento, observando que a economia da defesa pode envolver, por exemplo, a indústria de brindes, a alimentação, o vestuário, entre outros.

Segundo o Ministério da Defesa Nacional, a indústria de defesa em Portugal representa um volume de negócios na ordem dos 1,72 mil milhões de euros e as 100 empresas ligadas a esta indústria são responsáveis por 20 mil postos de trabalho.

Cerca de 88% do volume de negócios destas empresas é gerado através da exportação.

Braga, Ponta Delgada, Viseu e Loulé já receberam as sessões que o Ministério da Defesa tem vindo a promover.

Seguem-se sessões em Torres Novas (15 de abril), Funchal (28 de abril), Penafiel (11 maio), Aveiro (18 maio) e Lisboa (03 junho).

 

Por: Lusa