Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, a Europa tem assistido a uma intensificação significativa das ameaças e guerras híbridas. Este novo tipo de conflito combina, ciberataques, desinformação, sabotagem económica, interferência política e ações militares encobertas, uso da imigração como arma, ataques incendiários, com o objetivo de desestabilizar sociedades democráticas e enfraquecer instituições.
Só este ano, países como Polónia, Roménia, Dinamarca, Finlândia, França e Alemanha registaram múltiplas incursões de drones não identificados, alguns sobre bases militares e aeroportos. Estes drones, atribuídos à Rússia, são utilizados para recolha de dados, sabotagem e teste da capacidade de resposta europeia. As guerras híbridas operam abaixo do limiar da guerra convencional, dificultando a atribuição clara dos ataques e a resposta legal e militar. A sua natureza furtiva e multifacetada torna-as especialmente perigosas num contexto de elevada polarização política e vulnerabilidade digital.
A União Europeia (UE), apanhada desprevenida, tem vindo a desenvolver uma estratégia multidimensional para enfrentar estas ameaças: (i) Militar, por via do aumento dos orçamentos de segurança e defesa e criação do designado “Muro de Drones”; (ii) Intelligence, através do reforço das agências de informação e partilha de dados entre Estados-membros; (iii) Segurança, por via da proteção de infraestruturas críticas e autorização para abate de drones hostis; e (iv) Proteção da integridade informacional e promoção de uma cultura de vigilância cívica e pensamento crítico, incluindo o combate à desinformação e desenvolvimento da literacia digital e mediática.
Embora Portugal esteja menos exposto, não está imune. A educação digital, a cibersegurança nas escolas e a cooperação internacional são essenciais para proteger o país e preparar os cidadãos para este novo tipo de ameaça. A propósito da guerra híbrida, deve ser realçado o facto de Portugal ocupar uma posição estratégica, mas vulnerável, no que diz respeito à proteção dos cabos submarinos. Estes cabos são infraestruturas críticas que sustentam a conectividade global, e Portugal, pela sua localização atlântica, é um eixo essencial nas ligações entre a Europa, África, América do Norte e América do Sul (15% a 20% dos cabos submarinos do mundo passam pela zona de soberania portuguesa). Os cabos submarinos são tão importantes, porque: transportam mais de 95% do tráfego internacional de dados; ligam continentes e economias, incluindo comunicações diplomáticas, financeiras e militares; e, são difíceis de proteger, por estarem dispersos por milhares de quilómetros no fundo do mar
As guerras híbridas tornaram-se uma realidade incontornável na Europa. Este novo tipo de conflito, furtivo e multifacetado, desafia os modelos tradicionais de segurança e exige respostas inovadoras. A sua natureza invisível e insidiosa ameaça não apenas infraestruturas, mas também a coesão social e a confiança nas instituições democráticas. Perante este cenário, a informação rigorosa e a literacia mediática tornam-se armas essenciais. A resposta eficaz exige uma estratégia conjunta e coordenada no seio da UE.




