A cidade de Almancil acolheu, no passado sábado, dia 18 de abril, o 1.º Fórum Mulheres, Justiça e Igualdade Social, um evento que reuniu especialistas, decisores políticos e organizações da sociedade civil no Pavilhão 25 de Abril para realizar um balanço crítico sobre a desigualdade de género e os direitos humanos das mulheres no Algarve e em Portugal.

Organizado pela Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres (PpDM) em parceria com a Associação Doina Algarve e o apoio da Junta de Freguesia de Almancil, o encontro destacou a necessidade urgente de reforçar o diálogo entre as instituições públicas e os cidadãos, especialmente num contexto regional marcado por fragilidades no financiamento de projetos de igualdade e inclusão. A este propósito, Paulo Teixeira, Presidente da Junta de Freguesia de Almancil, valorizou a iniciativa sublinhando que "é uma honra para Almancil acolher um debate desta importância, pois só através da sensibilização e do diálogo próximo com a comunidade conseguiremos construir uma sociedade mais justa e verdadeiramente inclusiva para todas as mulheres". 

O evento destacou os desafios atuais das mulheres, começando pela análise das barreiras linguísticas e institucionais enfrentadas por mulheres estrangeiras no Algarve, onde a Associação Doina sublinhou a importância crítica de garantir apoio jurídico noutras línguas para assegurar o acesso efetivo à justiça. Paralelamente, debateu-se a emergência da ciberviolência e do assédio online, reconhecendo-se que os retrocessos globais nos direitos das mulheres encontram no mundo digital um novo terreno de propagação que exige vigilância redobrada. No que toca à representação política, o fórum destacou que, embora o Algarve apresente uma média de liderança feminina em câmaras municipais superior à nacional, com 31% de autarcas mulheres em concelhos como Castro Marim, Silves e Tavira, os números continuam a ser insuficientes para uma igualdade plena.

As discussões abordaram ainda a situação socioeconómica e o impacto da precariedade laboral, com um foco especial em testemunhos de sobreviventes de situações de vulnerabilidade extrema e na urgência de criar programas de saída e apoio social mais robustos. 

No encerramento dos trabalhos, Elizabeta Necker, presidente da Associação Doina, reforçou que a problemática da desigualdade é transversal a todas as mulheres, independentemente da sua origem, concluindo-se que a região necessita de replicar boas práticas institucionais e combater a escassez de financiamento direcionado para estas causas. 

Graças ao sucesso desta iniciativa e à importância dos temas debatidos, a organização já prevê a realização de uma nova edição do fórum em 2027. 

 

Malha