O Mercado de Verão Quarteira encheu-se de gente na noite de 1 de agosto para uma noite de fado com Luís Manhita e a fadista convidada Sara Gonçalves. Os fadistas foram acompanhados pelos músicos Nuno Mira e Luís Reis.

Um espetáculo de fado onde os dois fadistas alternaram temas a solo com alguns duetos, sempre muito ovacionados pelo público.

Luís Manhita, natural de Faro, é fadista profissional desde 2007 com um trabalho discográfico editado em 2009, tendo passado por vários projetos e palcos nacionais e no estrangeiro.

O fadista algarvio iniciou o seu percurso artístico no final da década de 1990, destacando-se como uma das vozes representativas da nova geração do fado no Algarve.

Iniciou-se no fado em 1998, participando em concursos de fado amador promovidos por diversos municípios algarvios.

Em 2009, venceu o Concurso de Fado de Vila Real de Santo António, distinção que impulsionou a sua profissionalização.

A partir dessa altura passou a atuar regularmente em salas de espetáculo e em casas de fado de Lisboa, Porto, Algarve e também no estrangeiro.

Em 2010, foi finalista do programa televisivo "Nasci para o Fado", idealizado por Filipe La Féria e transmitido pela RTP1. Gravou, em 2018, o seu primeiro trabalho discográfico durante uma residência artística na Casa de Fados Povo Lisboa. O álbum integrou a coleção "Fadistas do Povo", editada pela CTL – Lisbon Trend. Em 2021, participou como concorrente no programa "All Together Now", da TVI.

"Memória Apagada"

Um dos momentos mais marcantes da sua carreira foi o lançamento do videoclip "Memória Apagada", no qual assumiu publicamente a sua vivência pessoal através de uma história de amor entre dois homens. Na apresentação da obra, Luís Manhita afirmou que pretendia transmitir a ideia de que "o amor é amor" e defender uma maior liberdade de expressão no universo do fado, considerando que todos os sentimentos têm lugar nesta expressão musical. O videoclip recebeu atenção pela abordagem inclusiva e pela naturalidade com que tratou o tema.

Estilo artístico

Luís Manhita caracteriza-se por uma interpretação assente no fado tradicional, embora procure imprimir uma forte dimensão pessoal às suas atuações. Antes de se dedicar profissionalmente ao fado, integrou coros de igreja e teve formação teatral, experiências que contribuíram para a expressividade das suas interpretações em palco.

Sara Gonçalves

A fadista algarvia Sara Gonçalves é natural da Fuseta, concelho de Olhão, sendo considerada uma das vozes mais marcantes da nova geração do fado algarvio. Iniciou-se muito cedo na música e destacou-se ainda em criança pela qualidade da sua interpretação.

Percurso artístico

Nasceu na Fuseta, no seio de uma família de pescadores, tendo crescido com os avós, onde o fado fazia parte do quotidiano. Aos cinco anos já cantava espontaneamente e, aos seis anos, começou a participar em concursos de fado amador.

Aos nove anos, venceu o Concurso de Fado Amador de Albufeira, uma conquista que considera determinante para ganhar confiança e prosseguir uma carreira artística.

Alcançou projeção nacional ao vencer o concurso televisivo "Bravo, Bravíssimo", da SIC, representando posteriormente Portugal na final internacional realizada em Itália.

Foi igualmente vencedora do programa "Nasci para o Fado", criado por Filipe La Féria, impondo-se entre cerca de 1.300 concorrentes.

Carreira

Sara Gonçalves desenvolveu um estilo próprio que alia o respeito pelo fado tradicional a uma interpretação contemporânea e muito pessoal. Ao longo da sua carreira apresentou-se em numerosos palcos nacionais e internacionais, incluindo atuações em Espanha e no Luxemburgo. Em 2008 editou o álbum "Sonhos" e, posteriormente, criou o espetáculo "Com o Fado na Alma", acompanhada pela formação Os Alma.

Entre os projetos de maior destaque contam-se ainda diversos concertos integrados no ciclo "Música nas Igrejas", em Tavira, onde interpretou clássicos do repertório fadista acompanhada por músicos de reconhecida qualidade. Formação e atividade profissional Paralelamente à carreira artística, Sara Gonçalves concluiu a licenciatura em Psicologia e exerceu funções como psicóloga e coordenadora de equipa no Centro de Apoio ao Sem Abrigo (CASA), em Faro, conciliando a profissão com a atividade musical.

 

Jorge Matos Dias