O Sindicato dos Professores da Zona Sul (SPZS) disse hoje que existem 178 «horários-zero» no Alentejo e Algarve, para o próximo ano letivo, a maioria, 129, concentrados no 3.º ciclo e secundário, sem “redução significativa” de alunos.

“Estes números”, relativos aos docentes a quem não foi atribuída componente letiva, dizem respeito “apenas aos professores do quadro de provimento das escolas”, explicou o SPZS, em comunicado enviado hoje à agência Lusa.

Na zona sul, que engloba o Alentejo e Algarve, segundo a estrutura sindical, “verifica-se que, embora não havendo uma redução significativa no número de alunos do 3.º ciclo e secundário, é precisamente aí que se encontra o maior número de professores sem componente letiva atribuída, 129”.

O sindicato referiu que, durante este mês, procedeu a este levantamento junto das escolas, do número de docentes com ausência da componente letiva e obrigados a concorrer ao Concurso de Mobilidade Interna.

Dos 178 “horários-zero” contabilizados, 58 situam-se no distrito de Faro, 47 no de Portalegre, 39 em Évora e 34 em Beja, especificou a estritura sindical, afeta à FENPROF.

Contactado pela Lusa, Manuel Nobre, presidente do SPZS, realçou que estes dados “podem pecar por defeito”, pois, “ainda não incluem os professores do Quadro de Zona Pedagógica (QZP)”.

“Estes números só dizem respeito aos quadros de agrupamento/escolas, ou seja, professores que estão vinculados a uma determinada escola”, afirmou.

O sindicalista destacou que ”ainda faltam sair, talvez esta semana, os resultados dos concursos de mobilidade interna dos professores, que incluem também os QZP”.

“O que antecipamos é um aumento brutal do número de professores com ‘horário-zero’”, disse, explicando que estes docentes “correm sérios riscos de transitarem para a mobilidade, passando a receber, ao fim de um ano, só metade do ordenado”.

O SPZS, no comunicado, argumentou que “o elevado número de docentes com ‘horários-zero’ nas escolas resulta, diretamente, de medidas deliberadas nesse sentido impostas pelo Ministério da Educação e Ciência (MEC)”.

“Os ‘horários-zero’ traduzem políticas dos últimos anos de desinvestimento na Educação e na Escola Pública, com óbvios e graves prejuízos pedagógicos para os alunos”, criticou o sindicato.

Lembrando faltarem poucas semanas para o início do novo ano letivo, o SPZS reclamou ser necessária “uma profunda alteração destas políticas educativas”.

 

Por Lusa