1. Começo por renovar o agradecimento ao Sr. D. Manuel Quintas, pelo acolhimento que a Diocese do Algarve nos deu, desde o primeiro momento em que falámos sobre a possibilidade de fazermos a partir desta Diocese, o habitual encontro sobre a Mensagem do Papa para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, dia que haveremos de celebrar no próximo mês de maio.

1.       Permitam-me que sublinhe o trabalho e o cuidado que foi colocado neste encontro, inicialmente ainda na expectativa de nos podermos encontrar presencialmente e assim conhecer o trabalho da Comunicação, desenvolvido nesta Diocese. Um agradecimento especial ao Sr. Pe. Miguel Neto e à sua equipa. Quando Deus quiser, chegará o dia em que poderemos rumar ao sul e partilhar conhecimentos e experiências sobre o que nos reúne e desafia, Comunicar, Comunicar em Igreja, para a Igreja e pela Igreja.

2.       Sobre a Mensagem do Papa Francisco acabámos de ouvir a excelente apresentação do Sr. D. João Lavrador e não faltam, nem faltarão futuros comentários sobre o seu conteúdo. 

Como acontece com todos os textos e mensagens do Papa Francisco, julgo que precisamos de viver na sua companhia. Precisamos de ler e reler, de refletir, de descobrir o que fazer nas nossas vidas que corresponda a tanto que nos diz, nos pede, nos desafia.

3.       Mas eu tinha de me situar na Proposta do Papa para a Comunicação em tempos de Pandemia e quando parei a pensar no que poderia acrescentar à reflexão desta tarde senti a necessidade de procurar por onde ir…

4.       Felizmente temos a Agencia Ecclesia J e é possível fazer pesquisas, encontrar textos e reportagens, situar no tempo o que procuramos…foi o que fiz! Mas antes de vos dizer o que encontrei, permitam-me que vos diga como é claro para mim que todas as propostas que o Papa Francisco fez e faz, nestes tempos de pandemia, são sempre e também dirigidas à Comunicação. É verdade que existem momentos específicos, em que se dirige diretamente ao mundo da Comunicação Social, seja quando define prioridades para a Informação, seja quando reza por todos os que trabalham na Comunicação, seja quando escreve a Mensagem que hoje nos reúne.

5.       Mas todos os seus discursos, as suas intervenções, os seus gestos que conseguem ser tão proféticos, toda a sua pessoa traduz esta capacidade inata de comunicar, de ir ao encontro do outro, uma capacidade surpreendente de se fazer ouvir e de nos fazer refletir e querer agir. É como se conseguíssemos ver a dinâmica da Comunicação levantar voo, traçar um caminho e atingir um objetivo.

6.       Procurei palavras, expressões e gestos que marcaram a Comunicação do Papa neste tempo de pandemia, e que assim se tornam propostas concretas. Aqui estão algumas delas:

7.       Todos

Diálogo

Paz

Verdade

Encontro

Que ninguém fique para trás

A grandeza do quotidiano

Ecologia integral

Apelo à fraternidade

Forte sentido ético

Moderar a linguagem

Pertença como irmãos

O vírus do egoísmo indiferente

Nada substitui o ver pessoalmente

Coragem de ver e denunciar…

8.       Palavras e expressões ditas e escritas desde o célebre dia 27 de março, na Praça de São Pedro até ao passado dia 23 de Janeiro, data em que foi publicada a Mensagem para o próximo Dia Mundial das Comunicações Sociais.

9.       Palavras e expressões que nos desafiam e até incomodam. Conseguimos enquanto comunicadores ao serviço de todos, realizar o nosso trabalho quotidiano com balizas tão exigentes como a constância de um apelo à fraternidade, dentro e fora da Igreja e a coragem de ver e denunciar o que encontramos à nossa volta?

Conseguimos ter presente no dia a dia, antes de escrever uma peça, de preparar uma emissão ou de pensar num post para as redes, o sentido ético que não nos permite fugir da linguagem que sabemos correta, da necessidade de infundirmos o que fazemos de um sentimento de pertença que nos une?

Banalizamos ou relevamos as palavras cuja importância reconhecemos: diálogo, verdade, paz, encontro, todos? Corremos o risco de ir até ao outro, de ver com os nossos olhos, de ouvir com os nossos ouvidos, de nos deixarmos tocar ao ponto de sermos capazes de encontrar as palavras, os sons e as imagens que poderão travar o crescimento de um egoísmo indiferente, aquele a que o Papa Francisco chama Vírus?

10.   São estas algumas das questões que me obrigam a refletir, mas também a agradecer. A refletir sobre o nosso trabalho e a agradecer as possibilidades que nos são dadas todos os dias, resumidas na possibilidade de comunicar ao mundo, não só o que se passa, mas o que queremos de mais e melhor.

11.   Todos somos feitos para mais e melhor. De todos se espera isto mesmo e julgo poder dizer que essa é a expectativa do Papa Francisco em relação ao nosso trabalho…

12.   Ontem o mundo ficou a saber da morte de um sem-abrigo nigeriano, encontrado sem vida próximo da Praça de São Pedro, por causa do frio. E na recitação do ângelus, com transmissão online, o Papa Francisco pediu: «Pensemos em Edwin, no que sentiu este homem, de 46 anos, no frio, ignorado por todos, abandonado também por nós»

E a noticia, publicada pela Ecclesia acrescenta: “Francisco evocou São Gregório Magno, Papa entre 590 e 604, o qual, aquando da morte de uma pobre, por causa do frio, disse que “nesse dia não se celebrariam Missas, porque era como uma Sexta-feira Santa”.

O «nós», a que se referia o Papa quando nos disse que aquele homem morreu ignorado por todos, também por nós, somos verdadeiramente nós os que aqui estamos.

Que todos os dias podemos fazer a diferença ao escrever um artigo, ao publicar uma noticia, ao entrevistar este e não aquele convidado, ao escolher primeiras páginas, leads, fotografias, sons…

E o Papa concluiu: “Exorto todos os jornalistas e comunicadores e ir e ver, também onde ninguém quer ir, e a testemunhar a verdade.”

13.   Termino com a palavra verdade. Tão necessária, bela e incómoda, mas tão capaz de transformar. Não encontro melhor forma de resumir a proposta do Papa para a Comunicação em tempos de Pandemia, senão a de repetir o pedido de ontem: “Exorto todos os jornalistas e comunicadores e ir e ver, também onde ninguém quer ir, e a testemunhar a verdade.”

14.   Só me resta dar-vos em primeira mão, uma informação que só nos pode alegrar: o Jornal da Diocese do Porto, hoje Voz Portucalense e inicialmente Voz do Pastor, completa este ano os 100 anos de existência, razão pela qual irá receber a título honorifico o nosso Prémio de Jornalismo Dom Manuel Falcão. Lembro que todos podemos enviar candidaturas para este prémio, que nos honra enquanto profissionais de Comunicação.

 

 

Isabel Figueiredo

25 de janeiro de 2020