Aumentar a produtividade significa produzir mais e melhor, em menos tempo e com economia de recursos. A este propósito, a produtividade em Portugal tem vindo a afastar-se da média da União Europeia (a produtividade anual por trabalhador em Portugal equivale a sensivelmente 65% da média da UE), o que é preocupante, tanto mais quando é sabido que a própria UE enfrenta um défice de produtividade e de competitividade, quando comparada com os EUA. O incremento da produtividade da economia pode não significar automaticamente melhor qualidade de vida, mas é uma condição sine qua non para que tal aconteça, sobretudo se a isso se juntar um bom ambiente empresarial e boas políticas públicas, nomeadamente uma boa governação. Em Portugal, há uma enorme dificuldade em expressar a produtividade. e a competitividade que dela decorre, politicamente com medidas apropriadas, como se viu no “pacote laboral” que esteve em discussão muitos meses, em que o tema, no essencial, só lateralmente foi abordado.
Acresce que a produtividade e a competitividade é, neste momento, uma preocupação central na União Europeia, aliás largamente documentado, sendo o "relatório Draghi" um dos contributos mais importantes. Sobre este tema, vale a pena determo-nos nalgumas das ideias que ressaltam da discussão desta problemática no contexto da União Europeia, através de uma abordagem efetuada pelo reputado economista Bart van Ark, no âmbito do Fórum do BCE (Banco Central Europeu), recentemente realizado em Sintra. O ponto de partida desta reflexão assentou nos "limites da inovação face ao declínio da produtividade na UE”. Eis os principais eixos de abordagem:
1. O Diagnóstico do Declínio: o economista Bart van Ark sublinhou uma realidade preocupante para o Velho Continente, na medida em que os esforços atuais em inovação e os ganhos de produtividade registados são manifestamente insuficientes para travar, e muito menos inverter, a tendência de declínio estrutural da produtividade europeia face a outras potências mundiais, como os Estados Unidos; 2. O Paradoxo da Inovação: reside no facto de a Europa continuar a produzir excelente ciência e inovação tecnológica, falhando dramaticamente na fase seguinte. Existe um claro bloqueio na transformação do conhecimento em aplicações comerciais de larga escala. A inovação fica retida em "nichos" ou em fases piloto, não chegando a penetrar o tecido empresarial mais vasto da UE; 3. Barreiras Estruturais e Fragmentação: O economista aponta a fragmentação do mercado europeu como um dos maiores entraves. Ao contrário dos EUA, onde uma inovação pode ser rapidamente escalada para um mercado unificado de mais de 300 milhões de consumidores, na Europa as empresas enfrentam barreiras regulatórias, burocráticas e de financiamento entre os diferentes Estados-membros. Isto impede que as empresas ganhem a dimensão necessária para se tornarem globalmente competitivas; 4. O Impacto no Modelo de Bem-Estar: sem uma inversão real nesta perda de produtividade, o sustentáculo do modelo social europeu — que inclui a saúde pública, a educação e os sistemas de reformas — estará seriamente ameaçado a médio e longo prazo. A produtividade não é apenas uma métrica económica; é o motor que gera a riqueza necessária para manter a qualidade de vida das populações.
Em síntese, a solução não passa apenas por injetar mais fundos em Investigação e Desenvolvimento (I&D), mas sim por reformar profundamente o ambiente de negócios europeu. É urgente desmantelar as barreiras à escala, unificar verdadeiramente o mercado digital e de capitais, e criar condições para que as empresas possam crescer e adotar novas tecnologias de forma ágil. Para Portugal, o desafio reveste-se de uma complexidade ainda maior. Não podemos continuar a arrastar soluções. É imperativo atalhar caminhos e executar com eficácia o que tem de ser feito. Isto exige, fundamentalmente, romper com a tradicional política de "silos" que nos bloqueia e construir um verdadeiro espaço de cooperação estratégica entre a Universidade, a Indústria e o Governo. Só ligando o conhecimento ao tecido produtivo, com o apoio de políticas públicas claras, conseguiremos transformar a inovação em riqueza tangível e garantir o futuro do nosso bem-estar.


