A secretária de Estado da Conservação da Natureza faz um balanço positivo da marca Natural.pt, que promove produtos e serviços das áreas protegidas, e tem 230 aderentes, correspondendo a 500 produtos, com o Vale do Guadiana a liderar.
"O balanço é muito positivo", afirmou Célia Ramos, explicando que não se trata de grandes negócios, mas sim de nichos de mercado", com destaque para os recursos presentes em cada área protegida, do mel ao sal ou ao azeite, mas também queijos ou compotas.
Atualmente, continuou, são "230 aderentes, mas temos mais de 500 produtos, a maior parte de recursos endógenos, como mel, azeite, vinho, frutos secos", baseados nas espécies próprias de cada uma das áreas.
A secretária de Estado do Ordenamento do Território e Conservação da Natureza falava à agência Lusa a propósito do Dia Europeu dos Parques Nacionais, que se comemora na quarta-feira, e acrescentou à lista das presenças na marca, lançada em 2014, serviços como o alojamento, ou a animação.
Quanto às regiões que se destacam mais, o Parque Natural do Vale do Guadiana está em primeiro lugar, com "quase um terço dos produtos, o que é muito significativo", seguindo-se a região à volta de Lisboa, especificou.
Depois, de uma forma mais dispersa, surgem o Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, o Parque Nacional da Peneda Gerês, e os parques naturais de Montesinho, da Arrábida, da Serra do Açor, Sapal de Castro Marim, com entre 20 e 40 produtos cada um.
Segundo dados do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), que gere a marca, os produtos alimentares transformados representam 44% do total, seguidos dos alojamentos, com 22% e das atividades de animação turística, com 16%.
O Vale do Guadiana tem 109 candidaturas aceites, com mais produtos alimentares, as Serras de Aires e Candeeiros 53, e o Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António, no Algarve, apresenta 40 projetos e a Peneda-Gerês 37.
Célia Ramos recordou a intenção do Governo de reforçar a plataforma da marca Natural.pt e de apostar na possibilidade de integrar compras ‘online’, para permitir o acesso de mais clientes aos produtos de cada área protegida.
"Pretendíamos criar mecanismos de vendas ‘online’, embora isso seja um pouco contra o que queríamos mesmo, que é que as pessoas visitem as áreas e comprem lá os produtos", mas também é importante permitir a quem não está na região ter acesso aos produtos regionais, apontou a secretária de Estado.
Esta "não é a área de missão do ICNF" que gere a Natural.pt, por isso, "a ideia é propor aos empreendedores tomarem conta da marca, sempre com os requisitos do instituto", explicou.
A gestão seria realizada através de um consórcio que reunisse vários parceiros da região.
"A nossa ambição é fazer o alargamento desta marca e afirmá-la cada vez mais entre as marcas ligadas às áreas protegidas", resumiu Célia Ramos.
Quanto às mudanças forma de gestão destas zonas, que originou várias críticas baseadas no argumento de que passará a estar centrada nos municípios, a responsável salientou o objetivo é "pôr as áreas protegidas no mapa, ter alguém que responda por elas".
Para Célia Ramos, a melhor forma de fazer a gestão do território é através de uma gestão participativa, contando com a proximidade dos municípios, mas também de outras entidades, como a academia, as organizações não-governamentais, associações empresariais florestais ou de baldios.
"O ICNF estará sempre representado nos órgãos de gestão das áreas protegidas" e, em matéria da conservação da natureza e biodiversidade, "vai ter a última palavra", ou seja, "não se vai demitir das suas funções", realçou.
Por: Lusa


