Arrendar casa está mais ainda mais caro em Lisboa (+7%). Já no Porto as rendas caíram 6,3%, no último ano, mostra o idealista.

As rendas das casas em Portugal estão novamente a ficar mais caras, tendo aumento 4,9% em agosto face há um ano, revela o idealista. E este é o segundo mês consecutivo em que os preços das casas para arrendar no país sobem, afastando-se da tendência de queda observada durante o primeiro semestre de 2026. Com o novo aumento dos preços agora registado, arrendar casa em Portugal passou a ter um custo mediano de 18,1 euros por metro quadrado (euros/m2) no final do mês passado. Mas há diferenças significativas entre regiões, e até em sentido contrário, como por exemplo entre Lisboa e Porto, onde as rendas aumentaram e desceram, respetivamente, tal como mostra o índice de preços do idealista.

O agravamento do custo de arrendar casa - sentido na maioria das grandes cidades do território nacional e ilhas - mostra como a procura continua a pressionar este mercado num contexto de escassa oferta residencial. Este cenário poderá, no entanto, começar a mudar em breve no país com a revisão do regime do arrendamento urbano do Governo da AD, cujas novas regras entraram ontem em vigor e visam reforçar a liberdade dos contratos e agilizar os despejos, por exemplo. 

 

Por outro lado, a subida das rendas pode explicar-se por um redireccionamento da procura de habitação, devido às recentes dificuldades acrescidas na compra de casa, nomeadamente ao nível do crédito habitação. Isto devido à subida dos juros e aperto dos critérios de concessão por parte dos bancos, no âmbito das novas regras de taxa de esforço do Banco de Portugal. Os preços de venda também continuam a subir, ainda que o ritmo tenha abrandado em agosto, segundo os dados mais recentes do idealista.

 

Rendas sobem na cidade de Lisboa – mas caem no Porto

O preço das casas para arrendar no país aumentou em nove das 14 capitais de distrito (ou de regiões autónomas) analisadas e com amostras representativas, tendo descido nas restantes cinco entre agosto de 2026 e o mesmo mês o ano passado. 

As maiores subidas anuais das rendas das casas registaram-se em Viana do Castelo (32,2%), Aveiro (23,8%), Funchal (11,3%) e Braga (10,7%). Seguem-se Santarém (9,9%), Lisboa (7%), Setúbal (4,8%), Leiria (4,2%) e Évora (2,5%). 

Em sentido contrário, as maiores descidas anuais das rendas observaram-se em Coimbra (-8,2%), Faro (-6,4%), no Porto (-6,3%) e em Castelo Branco (-1,3%). Em Viseu, os preços do arrendamento mantiveram-se praticamente estáveis, com uma variação de -0,2%.

Lisboa continua a ser a cidade mais cara para arrendar casa, com um preço mediano de 24,5 euros/m2, seguida do Porto (18,6 euros/m2) e do Funchal (17,3 euros/m2). Logo depois surgem Faro (15,1 euros/m2), Aveiro (14,6 euros/m2), Setúbal (13,9 euros/m2) e Coimbra (12,9 euros/m2). Seguem-se Viana do Castelo (12,5 euros/m2), Évora (12 euros/m2) e Braga (11 euros/m2).

As capitais mais económicas para arrendar uma habitação no país continuam a ser Castelo Branco (7,2 euros/m2), Viseu (8,1 euros/m2), Leiria (9,4 euros/m2) e Santarém (9,7 euros/m2).

 

Arrendar casa fica mais caro na maioria dos distritos e ilhas

Nos últimos 12 meses, os preços das casas para arrendar subiram em 14 dos 19 distritos e ilhas analisadas, mantiveram-se estáveis num território e desceram nos restantes quatro, mostram dos dados do idealista referentes a agosto.

As maiores subidas anuais das rendas das casas registaram-se em Faro (22,8%), Viana do Castelo (19,3%), Aveiro (16%), ilha de São Miguel (12,6%), Bragança (11,7%), ilha da Madeira (10,4%) e Guarda (10,3%). Registaram-se ainda aumentos dos preços neste mercado em Braga (9,6%), Leiria (8,2%), Lisboa (7,8%), Portalegre (5,5%), Setúbal (3,7%), Santarém (1,9%) e Évora (1,1%). 

Em sentido contrário, as maiores descidas anuais das rendas das habitações observaram-se em Vila Real (-15,5%), Coimbra (-6,3%), Porto (-5,9%) e Castelo Branco (-1,8%). Já em Viseu o custo do arrendamento manteve-se estável, com uma variação de 0,5%.

O distrito de Lisboa lidera o ranking dos distritos e ilhas mais caras para arrendar casa, com um preço mediano de 22,2 euros/m2, seguido do distrito de Faro (21,3 euros/m2). Logo depois surgem a ilha da Madeira (16,2 euros/m2), Porto (16,1 euros/m2) e Setúbal (14,4 euros/m2).

Com valores das rendas iguais ou acima dos 10 euros/m2 encontram-se ainda ilha de São Miguel (12,2 euros/m2), Coimbra (11,7 euros/m2), Aveiro (11,6 euros/m2), Leiria (10,8 euros/m2), Évora (10,7 euros/m2), Viana do Castelo (10,7 euros/m2) e Braga (10,3 euros/m2).

No segmento intermédio surgem Santarém (8,6 euros/m2), Castelo Branco (7,9 euros/m2), Viseu (7,5 euros/m2), Vila Real (7,4 euros/m2) e Bragança (7,3 euros/m2). O distrito mais económico para arrendar casa continua a ser Guarda (6 euros/m2), seguido de Portalegre (7,2 euros/m2).

 

Rendas dão salto no Algarve – mas descem na região Norte

Nos últimos 12 meses, os preços das casas para arrendar subiram em seis das sete regiões portuguesas analisadas e desceram apenas no Norte (-6,3%).

As maiores subidas das rendas, em termos anuais, registaram-se no Algarve (22,8%), seguido do Alentejo (11%), da Região Autónoma da Madeira (10,3%) e da Região Autónoma dos Açores (8,8%). Verificaram-se ainda subidas na Área Metropolitana de Lisboa (7,6%) e no Centro (4,2%). 

A Área Metropolitana de Lisboa supera o Algarve como a região mais cara do país para arrendar casa, com um preço mediano de 21,5 euros/m2. A região algarvia aparece em segundo lugar com o custo de 21,3 euros/m2, seguida da Região Autónoma da Madeira (16,2 euros/m2) e do Norte (14,5 euros/m2). 

Logo depois está o Alentejo (11,6 euros/m2), a Região Autónoma dos Açores (11,1 euros/m2) e o Centro (10,6 euros/m2), sendo estas as regiões mais económicas para arrendar uma habitação.

 

Índice de preços imobiliários do idealista

O idealista atualizou a metodologia do seu índice de preços da habitação para se adaptar às mudanças do mercado. Os novos filtros da plataforma permitem identificar e excluir do cálculo produtos como o arrendamento sazonal ou de férias, que não refletem o mercado residencial convencional. Além disso, foi reforçado o processo de deteção de valores anómalos com técnicas estatísticas mais robustas. A nova metodologia foi aplicada retroativamente a toda a série histórica, a fim de garantir a comparabilidade dos dados.

Para a realização do índice de preços imobiliários do idealista, são analisados ​​os preços de oferta (com base nos metros quadrados construídos) publicados pelos anunciantes do idealista. São eliminados da estatística anúncios atípicos e com preços fora de mercado. 

Incluímos ainda a tipologia “moradias unifamiliares” e descartamos todos os anúncios que se encontram na nossa base de dados e que estão há algum tempo sem qualquer tipo de interação pelos utilizadores. O resultado final é obtido através da mediana de todos os anúncios válidos de cada mercado. 

 

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