A geografia da riqueza extrema está cada vez mais concentrada em poucos países, mas com centros de gravidade em mutação. Os ultra‑ricos – indivíduos com fortunas ultra‑elevadas (UHNWIs, na sigla inglesa) – continuam a ser uma minoria ínfima da população mundial, embora controlem uma fatia desproporcionada dos ativos financeiros e imobiliários do planeta. O novo ranking da Visual Capitalist, baseado no Wealth Report 2026 da Knight Frank, mostra como os grandes polos tradicionais de riqueza se mantêm no topo, ao mesmo tempo que economias emergentes ganham terreno. Portugal surge neste mapa na 32.ª posição, com 2.187 ultra‑ricos a residir no país.
De acordo com a Visual Capitalist, os Estados Unidos reforçam a liderança absoluta, com mais de 251 mil ultra‑ricos – mais do dobro da China, que ocupa o segundo lugar. Em conjunto, estes dois países concentram cerca de 55% de todos os UHNWIs incluídos no ranking, um sinal claro da distância que os separa do resto do mundo em termos de acumulação de grandes fortunas. Logo atrás surgem Alemanha, Reino Unido e França, confirmando o peso estrutural da Europa Ocidental como grande “hub” da riqueza privada global, apoiada em mercados de capitais profundos, forte presença de multinacionais e sistemas financeiros desenvolvidos.
Mas a lista evidencia também uma redistribuição dinâmica da riqueza para novas geografias. A Índia é o caso mais simbólico: passou do 10.º para o 6.º lugar desde 2021 e conta agora com quase 20 mil ultra‑ricos, impulsionada por elevado crescimento económico, expansão dos mercados de capitais e um setor tecnológico em rápida ascensão. A Polónia destaca‑se como o país com o crescimento mais rápido deste grupo, com a população ultra‑rica a aumentar 109% desde 2021, enquanto Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Vietname e Indonésia surgem como novos centros de riqueza. Este movimento mostra que, embora a elite financeira continue muito concentrada, os mapas da ultra‑riqueza já não se esgotam em Wall Street, Londres ou Hong Kong.
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