A contagiante performance da dupla, que transitou com naturalidade entre os registos mais românticos e os ritmos mais animados, envolveu por completo a assistência. Nos temas mais agitados, não faltou quem aproveitasse para um pezinho de dança, criando uma atmosfera de pura alegria e celebração.
Marc Noah: a música como salvação
Marc Noah afirma ter sido salvo pela música. Nascido na Austrália, de origem portuguesa, começou ainda criança a cantarolar canções para a mãe, mas a vida parecia reservar-lhe outros caminhos até que se tornou evidente que só havia uma forma de ser verdadeiramente feliz.
Durante boa parte da sua vida, tocou covers para turistas e desempenhou outros ofícios, mas nunca se sentiu plenamente realizado. Foi após uma desaceleração forçada pela pandemia que decidiu pôr os sentimentos no papel e gravar temas próprios. Em 2022, lançou o seu primeiro single, “Lie to Me”, integrado no EP de estreia Giant Little Victories, editado no último trimestre de 2024.
Irina Svechnikova: uma artista entre mundos
Irina Vladimirovna Svechnikova, natural de São Petersburgo e atualmente residente em Sabacheira, Tomar, é professora de piano e canto, lecionando em Tomar, Lisboa e Loulé.
A sua adaptação a Portugal foi acelerada pelo acolhimento caloroso que a família encontrou na comunidade algarvia, nomeadamente pela educadora de infância do filho e pelo padre João, sacerdote ortodoxo em Faro. A sua criatividade nas áreas da música e da escrita abriu-lhe várias portas profissionais, e Irina garante que dificilmente voltará a viver na Rússia.
No Algarve, participou em diversos concertos. Em 2019, juntamente com o ex-marido, organizou o Festival Internacional de Arte Clássica e Contemporânea “Temporadas Russas no Algarve”, com o apoio da Câmara Municipal de Loulé e do seu presidente, Vítor Aleixo. “Uma oportunidade inestimável de partilhar a cultura em que fomos educados, que amamos profundamente e que desejávamos divulgar”, sublinha. O festival incluiu concertos de música ao vivo com artistas convidados da Rússia, transmissões de ópera, exposições de fotografia, espetáculos de ballet e muito mais.
Foi também convidada para concertos coletivos e festivais, onde interpretou romances russos que, pelo caráter e melodia, se assemelham ao fado português. Aos 54 anos, a vida criativa de Irina reservou-lhe uma reviravolta inesperada: foi em Portugal que voltou a subir a uma passarela profissional como modelo. “Uma oportunidade incrível!”, realça.
Jorge Matos Dias




