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Um em cada quatro europeus mantém relações amorosas por falta de casa

19:04 - 29/10/2026 ECONOMIA
Admitem ter prolongado uma relação durante mais tempo do que desejava por motivos relacionados com a habitação.

A dificuldade de acesso à habitação condiciona a vida pessoal dos europeus, ao ponto de quase um em cada quatro habitantes do continente, cerca de 23%, admitir ter prolongado uma relação amorosa durante mais tempo do que desejava por motivos relacionados com a habitação. A conclusão consta do Relatório Europeu de Tendências de Habitação 2026 da Remax Europa, elaborado pela consultora Opinium Research.

Esta realidade afeta sobretudo as gerações mais jovens: mais de um em cada três inquiridos da geração Z (34%) afirma ter tomado esta decisão, face a 31% dos millennials, 20% da geração X e 10% dos chamados 'baby boomers'. Os homens (25%) também são mais propensos do que as mulheres (20%) a admitir que as circunstâncias relacionadas com a habitação influenciaram a decisão de permanecer numa relação.

O relatório foi elaborado com base nas respostas de mais de 22 mil pessoas com mais de 18 anos, de 24 países europeus. O estudo, realizado em julho de 2026 e cujos resultados foram ponderados para garantir a representatividade em cada mercado nacional, analisa de que forma as dificuldades de acesso à habitação, as pressões económicas e as aspirações residenciais estão a influenciar as decisões e o estilo de vida dos cidadãos europeus.

A pressão económica é o principal fator entre aqueles que admitem ter permanecido numa relação durante mais tempo do que desejavam. Poupar dinheiro foi o motivo mais referido, seguindo-se a impossibilidade de suportar os custos de viver sozinho e a vontade de evitar as despesas ou as dificuldades associadas a uma mudança de casa.

Do Luxemburgo à Eslovénia, as diferenças na Europa

A situação varia consideravelmente entre os países europeus. A percentagem de pessoas que prolongaram uma relação por motivos relacionados com a habitação atinge os 35% no Luxemburgo e os 34% na Turquia, enquanto na Croácia se fica pelos 15%. Na Áustria, Bulgária, Finlândia, Malta e Eslovénia, o valor é de 18%.

Os resultados revelam um desafio mais abrangente no que diz respeito à independência residencial. Mais de um terço dos europeus (35%) considera que viver sozinho não é uma opção realista no seu país, uma proporção que sobe para 41% entre a geração Z. Entre aqueles que consideram inviável viver sozinhos, 60% apontam o custo geral de vida, 57% as rendas elevadas e 42% afirmam que essa possibilidade exige um salário acima da média.

"As decisões relativas à habitação raramente se limitam a quatro paredes, e estes resultados mostram até que ponto estão ligadas a outras áreas da vida das pessoas. Em toda a Europa, os residentes estão a adotar estratégias cada vez mais ponderadas para concretizar os seus objetivos habitacionais, seja partilhando despesas, adiando a próxima mudança de casa ou até prolongando uma relação enquanto decidem qual será a sua próxima situação residencial", comenta Michael Polzler, diretor executivo da Remax Europa.

"O nosso mais recente estudo evidencia a importância de uma habitação de qualidade, numa altura em que as pessoas ponderam os seus desejos e necessidades habitacionais em conjunto com decisões importantes sobre as suas relações, a sua independência e o seu futuro", acrescenta.

 

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