Presidente do Turismo do Algarve: «Já não estamos na fase do crescimento exponencial a dois dígitos, nem deve ser esse o nosso foco»

10:40 - 23/10/2026 ALGARVE
Na sessão de abertura do Congresso da AHRESP, que este ano decorre no Centro de Congressos do Arade, em Lagoa, o presidente do Turismo do Algarve, André Gomes, aludiu para a necessidade de colocar o foco do turismo além do número de hóspedes, focando na valorização do território.

O défice do investimento estrutural por parte do Estado na região, mas também a verba disponibilizada no Orçamento de Estado às entidades regionais de turismo, foram outros dos pontos abordados.

Presente na sessão de abertura do Congresso da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), que decorre de 22 a 23 de outubro em Lagoa, no Algarve, André Gomes, presidente do Turismo do Algarve, sublinhou que “já passámos claramente a fase do crescimento exponencial a dois dígitos ao nível de hóspedes”, pelo que, no seu entender, é necessário “valorizar mais o impacto” do setor.

“Estamos claramente numa fase de consolidação. Temos de valorizar mais o impacto que a nossa atividade acrescenta, quer ao nível dos territórios, quer ao nível das nossas empresas e comunidades locais. Já passámos claramente a fase do crescimento exponencial a dois dígitos ao nível de hóspedes, nem creio que deve ser esse o nosso foco, atualmente. Temos, acima de tudo, de continuar a encontrar formas de a nossa atividade impactar cada vez mais [o território]”.

No caso concreto do Algarve, André Gomes refere que, na última década, têm vindo a apostar na diversificação da oferta além do sol e praia, com turismo de natureza, patrimonial, cultural e gastronómico. O trabalho de diversificação estende-se aos mercados emissores, com a atração de mercados do norte da Europa, além dos tradicionais mercados britânico, irlandês e alemão.

Contudo, o presidente do Turismo do Algarve aponta que a região enfrenta “desafios muito grandes para quem cá reside e trabalha”, existindo um “défice ao nível do investimento estrutural por parte do Estado central”.

“O Algarve é uma região que tem desafios muito grandes para quem cá reside e trabalha. É uma região onde sentimos sempre um défice ao nível do investimento estrutural por parte do Estado central. Não vou deixar nenhum caderno de encargos, mas temos desafios relacionados com a mobilidade e habitação. Precisamos de respostas efetivas, factuais e investimentos concretos na região”, frisa André Gomes.

O presidente deixa ainda “um recado” ao ministro das Finanças, já que, “desde 2016, recebemos exatamente a mesma verba, ao cêntimo, vinda do Orçamento de Estado, para a atividade realizada pelas entidades regionais de turismo”.

Sobre este tema, e também presente na sessão de abertura do Congresso da AHRESP, o secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Pedro Machado, esclarece que este ano os habituais 16,4 milhões de euros garantidos às entidades regionais de turismo pelo Orçamento de Estado terão um reforço de verba muito próximo dos 30 milhões de euros.

Num último ponto, André Gomes refere que ainda há caminho a percorrer no sentido de mostrar o contributo da atividade turística para as comunidades locais.

“Há uma distância que nos separa dos resultados que temos vindo a demonstrar no que diz respeito aos proveitos gerados pela atividade turística e o que é percecionado pelas nossas comunidades locais. Há um caminho que temos de continuar a fazer. Muitas vezes a perceção está longe dos resultados factuais e dos contributos [do setor]”, termina.

O Congresso da AHRESP tem lugar de 22 a 23 de outubro no Centro de Congressos do Arade, em Lagoa, no Algarve. O evento, que reúne cerca de 1.200 congressistas, decorre no ano em que a associação celebra 130 anos de atividade.

 

Publituris