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Quando descansar resulta em culpa: o lado menos conhecido das férias

19:07 - 05/09/2026 ECONOMIA
Há pessoas que não conseguem «desligar» nas pausas laborais e isso tem consequências para a saúde. Que perfis são mais afetados?

No momento que marca o final do período de férias para muitos portugueses, há trabalhadores que regressam ao trabalho com a sensação de que o objetivo de “recarregar baterias” não foi alcançado. Isto acontece porque, efetivamente, não conseguiram descansar. Mas porquê? 

A resposta a esta questão prende-se com determinados perfis pessoais: trabalhadores muito responsáveis, habituados a exigir muito de si próprios e com dificuldade em impor limites à sua disponibilidade laboral. Para estas pessoas, o seu valor pessoal está excessivamente associado ao seu rendimento profissional. 

Isto leva a que, durante as férias, não consigam “desligar” totalmente das suas responsabilidades laborais e tenham um certo sentimento de culpa, pois esse desconforto psicológico por estarem simplesmente a descansar ou em lazer gera-lhes uma sensação de improdutividade, como explica, em comunicado, Soledad Scarcella, psicóloga da Blua da Sanitas, empresa ibérica pertencente à seguradora Bupa: “O sentimento de culpa não está nas férias, mas sim na crença de que parar equivale a falhar. Essa ideia ativa uma espécie de vigilância interna que faz com que, embora a pessoa esteja fora do trabalho, continue a rever mentalmente o que está pendente ou a pensar que deveria estar a fazer algo útil”.

Segundo a responsável, este sentimento de culpa faz leva a que as férias percam a sua função de restauradora de energias: “As férias não produzem recuperação por si só. O que permite recuperar é reduzir a exigência mental habitual. Quando a pessoa mantém a mesma pressão interna do que durante o resto do ano, o organismo continua a funcionar em estado de alerta e o descanso perde grande parte do seu efeito reparador”.

Tendo em conta este problema que afeta muitas pessoas no nosso país, um conjunto de especialistas da BUPA, empresa internacional de assistência à saúde, deixam o alerta para 5 consequências da falta de descanso psicológico durante as férias:

  • Sono menos reparador: manter a mente constantemente ativa pode dificultar o processo de adormecer e provocar depois interrupções do sono ao longo da noite. Desta forma, mesmo quando se dorme durante mais tempo, é possível acordar com a sensação de que não foi o suficiente.
  • Maior irritabilidade: a irritabilidade pode aumentar quando o tempo de descanso é encarado como mais uma obrigação e, perante um imprevisto ou mudança de planos, a frustração tende a surgir facilmente, enquanto a mente permanece presa à lógica das tarefas e das responsabilidades.
  • Dificuldade em desfrutar: a necessidade de rentabilizar cada momento pode dificultar a capacidade de apreciar o tempo livre e até simples atividades como a leitura, o exercício físico, um passeio ou simplesmente não fazer nada podem gerar desconforto e sentimento culpa, uma vez que esses momentos são encarados como tempo perdido.
  • Cansaço emocional: levar a pressão e a autoexigência para férias dificulta a desaceleração mental e emocional. Sem uma verdadeira pausa das exigências quotidianas, a sensação de desgaste pode intensificar-se.
  • Problemas de concentração no regresso ao trabalho: sem uma recuperação durante as férias, o regresso ao trabalho pode traduzir-se numa maior dificuldade em manter o foco e menor capacidade para lidar com situações de pressão.

Soledad Scarcella conclui que “relaxar não significa desinteressar-se das responsabilidades”, significa apenas “permitir que o organismo recupere recursos para poder responder depois com mais estabilidade”, aconselhando para que “quando a auto exigência impede o descanso mesmo em períodos destinados à recuperação, pode ser útil consultar um profissional para identificar que crenças ou hábitos estão a manter esse mal-estar”.

Segundo a psicóloga da Blua da Sanitas, “a videoconsulta permite aceder a apoio psicológico também durante as férias, sem necessidade de esperar pelo regresso”.

 

Idealista News