Portugal lidera subida dos preços das casas – e no mundo estão a cair

18:05 - 06/09/2026 ECONOMIA
Preços reais da habitação caíram 1,2% no globo, diz BIS. Portugal está em contraciclo, devido à alta procura e falta de oferta.

As casas à venda estão a ficar mais baratas a nível global. Os preços reais da habitação no mundo aceleraram a queda para 1,2% no início de 2026. Mas há países que contrariam esta tendência. Um deles é Portugal, que se destaca por ter tido o maior aumento anual dos preços das casas (15,2%) entre quase 60 economias. 

A mais recente análise ao mercado residencial realizada pelo Banco de Pagamentos Internacionais (BIS, na sigla inglesa) indica que os preços reais da habitação no mundo – que refletem o poder de compra real ajudado à inflação – “caíram a um ritmo mais acelerado” no primeiro trimestre de 2026 (-1,2%) do que no final do ano passado (-0,5%). Sem este ajuste económico, os chamados preços nominais das casas cresceram 1,7% no globo, mostrando o claro peso da inflação no valor real da habitação no mundo.

Mas esta tendência não é uniforme em todos os países do globo. O relatório do BIS, divulgado na semana passada, reconhece que a evolução dos preços reais dos imóveis residenciais continuou a apresentar “variações consideráveis” ​​entre as 57 economias analisadas. A verdade é que o custo da habitação cresceu em 39 países, estabilizou em quatro e desceu em 14.

Portugal destaca-se nesta lista por ter sido o país do mundo que registou a maior subida anual dos preços reais da habitação no primeiro trimestre de 2026 (de 15,2%), embora o ritmo de aumento esteja a desacelerar. Em segundo lugar está a Macedónia do Norte (12,5%) e em terceiro a Bulgária (+10,8%), mostra o BIS.

O custo de comprar casa em Portugal continua, assim, em contraciclo com a evolução dos preços a nível mundial. E também volta a apresentar grande discrepância face ao aumento do preço real da habitação na zona euro, o qual só cresceu 2,6% no último ano dando sinais de moderação.

A subida a pique do preço das casas à venda em território nacional é explicada, em grande medida, pelo desequilíbrio entre a alta procura e escassa oferta residencial no país, sobretudo, a preços mais acessíveis. No início de 2026, assistiu-se apenas a uma desaceleração do aumento do custo da habitação em Portugal, explicada pela queda nas vendas de casas por parte das famílias que veem agora o seu poder de compra pressionado pela alta inflação e subida dos juros.

Para aliviar esta pressão generalizada e aumentar a oferta residencial, o Governo desenhou o pacote fiscal para a habitação (que reduz o IVA na construção para 6%) e ainda simplificou os licenciamentos, revendo os regimes jurídicos da urbanização e da edificação (RJUE). Mas os efeitos destas e de outras medidas no mercado não vão ser sentidos no curto prazo. 

Preços das casas pararam de subir as economias avançadas e voltaram a cair nas emergentes

Analisando os mercados habitacionais no mundo, o BIS conclui que “os preços reais pararam de crescer nas economias avançadas (-0,2% face ao ano anterior) e continuaram a diminuir nas economias emergentes (-2,0%), impulsionados sobretudo pelos desenvolvimentos na Ásia”. Ainda assim, destaca que só um terço das economias avançadas e um quarto das economias de mercado emergentes registaram queda anual nos preços reais da habitação no início de 2026.

No universo das economias avançadas, os preços reais das casas permaneceram praticamente estáveis ​​no arranque do ano. “A queda foi ampliada no Canadá (-7%) e, em menor grau, nos EUA (-2%) e no Reino Unido (-2%)”, destaca no documento. Por outro lado, o custo real da habitação continuou a crescer na Austrália (+6%) e na zona euro (+2,6%), com aumentos expressivos na Espanha (+9,9%) e na Itália (+3,8%), apesar das ligeiras quedas observadas na França e na Alemanha.

É na Ásia que se encontra a explicação para a queda dos preços reais da habitação nas economias emergentes, nomeadamente na China e na Indonésia (-7,1% e -3,2%, respetivamente). Já na Tailândia (1,9%), nas Filipinas (1,6%) e na Índia (1,1%), os preços aumentaram moderadamente.

“Numa perspetiva de longo prazo, os preços reais das casas a nível mundial estão bem acima dos níveis observados no final da crise financeira global (2007-2009), com um aumento significativo de 20%. São particularmente elevados na Turquia (117%), na Índia (62%) e nos EUA (56%). Em contrapartida, os preços reais permanecem bem abaixo dos seus níveis pós-crise financeira global em Itália (-24%) e na China (-15%)”, indica ainda a análise do BIS.

 

Idealista News