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Despesas do regresso às aulas custam menos 25€ face a 2025

13:03 - 29/08/2026 ECONOMIA
Apesar de o valor médio por estudante ter diminuído, muitas famílias ainda se veem obrigadas a cortar noutras despesas.

O início de mais um ano letivo já se aproxima e, com ele, chegam as habituais despesas com material escolar e outros encargos relacionados. Mas a boa notícia é que, comparativamente ao ano passado, o valor médio estimado por estudante baixou 25 euros, situando-se agora nos 579,28€.

Ainda assim, de acordo com o estudo “Regresso às Aulas” do Observador Cetelem, as famílias portuguesas estão a tentar adaptar o orçamento para fazer face a estes gastos, com 79% dos inquiridos a admitir abdicar de outras despesas, como: 

  • Corte em férias e viagens (42%);
  • Redução de refeições fora de casa (39%);
  • Corte em atividades de lazer (38%);
  • Corte nas poupanças (23%);
  • Redução nas despesas de saúde (9%).

Segundo este estudo, é a compra de material escolar que representa os maiores gastos nesta época (53%), seguindo-se a alimentação (46%), roupas (39%) e mensalidades e propinas (33%). O orçamento familiar sofre uma pressão extra neste período de regresso às aulas devido às despesas fixas familiares como os custos da habitação, com 55% dos inquiridos a referirem que estas despesas têm um impacto moderado (36%) a elevado (19%) na disponibilidade para os gastos com a educação.

Cerca de metade (51%) dos encarregados de educação que participaram no estudo da Cetelem indicam que as despesas com a educação representam entre 10% a mais de 20% do orçamento familiar. Apesar da descida do preço médio por estudante ter reduzido 25€ este ano, 46% dos portugueses admitem sentir que o peso dos gastos com a educação aumentou, com 43% a afirmar sentir dificuldade e 8% muita dificuldade ou, até mesmo, necessidade de receber apoio. 

 

Famílias procuram opções mais acessíveis

Para fazer face a estas despesas de início de ano letivo, as famílias portuguesas estão a procurar alternativas mais económicas. Uma vez que o material escolar essencial representa 80% dos gastos neste período, 59% dos inquiridos indica que vai optar por material recondicionado ou em segunda mão. Seguem-se as despesas com o vestuário e o calçado (74%), a compra de computadores (25%, +18% face a 2025), calculadoras (29%) e tablets (21%).

Verificam-se também alterações no modo como as famílias gerem o orçamento, com 31% (de um total de 61% com poupanças destinadas a educação) a afirmar tencionar usar as poupanças para educação já neste início de ano letivo, embora as restantes famílias optem por guardar esse valor para outros momentos mais necessários. Há também 42% dos inquiridos que ponderam ou já utilizam o seu cartão de crédito nas compras escolares, com um valor médio de 388,21€ (+21,25€ face a 2025) e 13% admitem solicitar um crédito pessoal.

 

Preocupações com segurança superam as financeiras

Apesar de 37% dos inquiridos admitir estar preocupado com os gastos em material escolar, as maiores preocupações são, sem dúvida, em termos de ambiente escolar e segurança, com o bullying a preocupar 53% dos encarregados de educação, seguindo-se o potencial de violência (51%). O impacto das greves também preocupa muitos pais (42%), assim como a qualidade do ensino (41%).

Ainda assim, 44% mostram-se positivos relativamente a um melhor ano letivo, enquanto 46% esperam um ano igual ao de 2025/2026 e 9% (+3% face ao ano anterior) estão mais pessimistas, esperando uma menor qualidade de ensino (66%) e apontando a preocupação com a falta de professores (46%).

Hugo Lousada, Marketing, B2B & B2C Diretor do Cetelem, refere, em comunicado, que “o regresso às aulas é um bom exemplo de como as prioridades influenciam as decisões de consumo”, sublinhando que “neste momento, as famílias têm de equilibrar as despesas com educação com outros encargos, reorganizando o seu orçamento” e “para enfrentar este desafio, recorrem a diferentes estratégias: desde a criação de uma poupança antecipada, ou procura de mecanismos de poupança na aquisição de material ou usando crédito”. 

“O que importa aos encarregados de educação é que estas escolhas, sejam elas quais forem, permitam aumentar a sua capacidade financeira e, ao mesmo tempo, distribuir os custos sem comprometer o que realmente importa: o futuro dos filhos e a estabilidade da família”, conclui o responsável.

 

Idealista News